Bayer: o passivo total da empresa deve saltar de 7,8 bilhões de euros para 11,8 bilhões de euros, dos quais 9,6 bilhões de euros relacionados ao glifosato. (Bayer/Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 4 de julho de 2026 às 08h00.
A Bayer pediu aos Estados Unidos que imponham tarifas sobre o glifosato importado da China, alegando que o produto químico utilizado no herbicida Roundup está sendo vendido a preços artificialmente baixos.
O pedido foi feito na terça-feira, 28, ao governo americano por meio de uma petição da subsidiária Monsanto ao Departamento de Comércio e à Comissão de Comércio Internacional dos EUA, segundo a Reuters.
O glifosato é o ingrediente ativo de um herbicida — defensivo agrícola usado para eliminar ervas daninhas —, enquanto o Roundup é a marca comercial mais conhecida desse produto, originalmente criada pela Monsanto e atualmente sob controle da Bayer.
Segundo a empresa, o objetivo é combater práticas comerciais consideradas desleais no mercado global do insumo.
“A Monsanto apresentou petições antidumping e de direitos compensatórios para combater práticas comerciais predatórias e importações subsidiadas de glifosato. O mercado interno de glifosato, da forma como está hoje, não é sustentável", afirmou a companhia em comunicado.
De acordo com a petição, a Bayer afirma ser a única fabricante de glifosato nos Estados Unidos e argumenta que as tarifas serviriam para equalizar a diferença de preços entre o produto importado da China e o produzido internamente.
Segundo a Reuters, a medida gerou forte reação de entidades do setor agrícola americano, que já enfrentam anos de dificuldades financeiras.
“Eles estão tomando essa medida puramente em benefício da empresa e de seus acionistas, mais uma vez às custas do agricultor americano e em um momento em que a economia agrícola enfrenta um de seus períodos mais difíceis em décadas”, disse Jed Bower, presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho, à Reuters.
Produtores de grãos, como a soja, enfrentam pressão financeira nos últimos quatro anos, impulsionada por altos custos de insumos como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas. Para essas entidades, a imposição de tarifas pode agravar ainda mais o cenário.
“Medidas para impor taxas de importação sobre esses produtos limitam a concorrência no mercado, ameaçam causar aumentos de custos e, em última análise, prejudicam os agricultores americanos”, afirmou a Associação Americana de Soja.
O movimento da Bayer ocorre poucos dias após uma decisão relevante da Suprema Corte dos EUA, que bloqueou milhares de ações judiciais em tribunais estaduais contra a empresa relacionadas ao glifosato.
Em 25 de junho, a Corte anulou um veredicto no Missouri que havia concedido US$ 1,25 milhão a um homem que alegou desenvolver câncer após exposição ao herbicida Roundup.
Na quarta-feira, 1º, a Bayer anunciou que criou uma subsidiária que cuidará exclusivamente de seu negócio de glifosato nos Estados Unidos. O novo negócio, batizado de Ruveon, foi criado após anos de milhares de processos judiciais nos EUA acusando o Roundup.