Minerva Foods: empresa possui plantas na Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 17h12.
As cotas da China para a importação de carne bovina acenderam um alerta no setor brasileiro, mas a Minerva Foods, uma das principais exportadoras de proteína animal da região, deve mitigar os impactos graças à sua presença estratégica em outros países da América do Sul. A avaliação é dos analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, em relatório do Santander divulgado nesta segunda-feira, 5.
Na semana passada, a China anunciou que a cota total de importação de carne bovina para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil ficou com a maior fatia: cerca de 1,1 milhão de toneladas, ou 41,1% do total.
Em seguida vêm Argentina (19%), Uruguai (12,1%), Austrália (205 mil toneladas) e Estados Unidos (164 mil toneladas). Volumes que excederem esses limites estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.
Apesar de ser a empresa mais exposta às restrições no Brasil entre as companhias cobertas pelo relatório, a Minerva conta com uma operação robusta em países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia, o que permite realocar os fluxos de exportação com maior agilidade diante das novas regras impostas pelo país asiático.
O diferencial, diz o relatório, reduz o risco de perda estrutural de mercado e preserva a competitividade da companhia no principal destino global da carne bovina.
“Para a Minerva, o efeito líquido das novas regras chinesas deve ser limitado, dada a capacidade de redistribuir a produção entre origens”, afirmam os analistas.
O documento também aponta uma possível reconfiguração dos fluxos globais de carne bovina.
Com o aperto das cotas para Brasil e Austrália, países como Uruguai, Argentina e Nova Zelândia tendem a ganhar espaço, uma vez que suas exportações atuais para a China já se aproximam dos volumes autorizados.
Além disso, o Santander avalia que, apesar das restrições, a China pode voltar a ampliar as importações no médio prazo, à medida que o ciclo pecuário local se torne mais apertado.
A previsão para este ano é de que o Brasil, um dos maiores produtores globais de carne bovina, reduza seus abates de 41 milhões para 38 milhões de cabeças, segundo a consultoria agrícola Datagro.
O relatório mantém visão neutra para as ações da Minerva (BEEF3), com preço-alvo de R$ 6,80 até o fim de 2026.
A avaliação da empresa combina dois métodos: a projeção do fluxo de caixa futuro e a comparação com múltiplos de mercado. O cenário considera uma taxa de crescimento anual de 5% no longo prazo e estima que o valor da empresa equivale a quatro vezes o seu lucro operacional previsto (EV/EBITDA).
Entre os principais riscos estão o aumento no preço do gado no Brasil, sanções sanitárias, câmbio desfavorável e custos financeiros elevados.
Às 17h01 os papéis da Minerva caíam mais de 3% na B3.
No México, o cenário é mais positivo para os exportadores brasileiros. O governo mexicano decidiu renovar por todo o ano de 2026 o PACIC, que isenta de tarifas a importação de frango para conter a inflação de alimentos.
A medida afasta um risco para empresas como JBS e MBRF, já que o México está entre os seis maiores destinos do frango brasileiro, importando cortes de maior valor agregado.
Apesar de ter anunciado aumento de tarifas para carne bovina e suína, o Santander avalia que o impacto será limitado, uma vez que apenas 4% das exportações brasileiras de carne bovina têm o México como destino.
Além disso, a manutenção das tarifas sobre a carne americana, combinada à escassez de oferta nos Estados Unidos, tende a manter o produto brasileiro competitivo.
“Combinadas, as decisões de China e México alteram o equilíbrio do comércio global de proteínas, mas não configuram um choque estrutural imediato para os exportadores brasileiros”, dizem os analistas.