Destaques positivos: as ações da Raízen (RAIZ4) lideravam os ganhos, com avanço de 15,56%, pelo segundo pregão consecutivo (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 12h26.
O Ibovespa renovou suas máximas históricas e ultrapassou, pela primeira vez, o patamar dos 185 mil pontos nas primeiras horas de negociação desta quarta-feira, 28, em um pregão marcado por forte apetite ao risco e ampla valorização das ações, em meio à expectativa pelas decisões de política monetária no Brasil e no exterior.
Por volta das 11h50, o principal índice da B3 avançava 1,73%, aos 185.064,76 pontos, maior nível de todos os tempos, depois de ter batido os então inéditos 184 mil pontos na primeira meia hora de negociação.
O movimento reforça o rali recente da bolsa brasileira, que vem acumulando sucessivos recordes ao longo de janeiro. Às 12h20, o indicador mantinha o avanço com alta de 0,98%, aos 183.702 pontos.
O desempenho positivo ocorre após um forte pregão na terça-feira, 27, quando o Ibovespa voltou a ganhar força depois de uma sessão de acomodação e encerrou o dia em novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos, com alta de 1,79%. Na ocasião, o índice já havia tocado, de forma inédita, a região dos 183 mil pontos.
Nesta quarta-feira, a alta é amplamente disseminada. Apenas seis das 84 ações que compõem o Ibovespa operavam em queda no fim da manhã, sinalizando um dia de forte participação compradora.
Entre os destaques positivos, as ações da Raízen (RAIZ4) lideravam os ganhos, com avanço de 15,56%, pelo segundo pregão consecutivo, em meio a rumores de um possível aumento de capital para redução do endividamento.
A C&A (CEAB3) também subia 7,91%, beneficiada pela expectativa de queda dos juros futuros no primeiro semestre deste ano, enquanto a Usiminas (USIM5) avançava 7,65%, impulsionada pela alta dos preços dos metais e pelas discussões sobre medidas protecionistas para a indústria siderúrgica no Brasil.
Do lado negativo, a maior queda do dia era registrada pela Embraer (EMBR3), que recuava 3,99%, destoando do movimento majoritariamente positivo do mercado.
O novo recorde ocorre em um dia decisivo para os mercados globais. A chamada “super quarta” concentra decisões de política monetária de bancos centrais no Brasil e no exterior, além de discursos de autoridades e a divulgação de balanços corporativos relevantes.
No exterior, a agenda começou com a divulgação do índice de confiança do consumidor GfK na Alemanha, às 4h. Às 11h45, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de política monetária, com expectativa majoritária de manutenção da taxa básica em 2,25%.
O foco principal do mercado, no entanto, estará nos Estados Unidos. Às 16h, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulga sua decisão de política monetária, com expectativa de manutenção dos fed funds no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Em seguida, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva.
"Os investidores acompanharão atentamente qualquer sinalização sobre o momento do próximo corte, embora o colegiado possa indicar uma pausa prolongada. Nas projeções divulgadas em dezembro, o banco central norte-americano indicou apenas um corte de juros de 25 pontos-base em 2026", afirma
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.
"Atualmente, os mercados precificam esse movimento para junho, atribuindo menor probabilidade a um corte adicional em dezembro", acrescentou a especialista.
No Brasil, o Banco Central anuncia sua decisão sobre a taxa Selic às 18h30. Assim como no caso do Fed, a expectativa predominante do mercado é de manutenção dos juros, com atenção voltada ao conteúdo do comunicado e aos sinais sobre a condução futura da política monetária.
"O texto será cuidadosamente escrutinizado, sobretudo no que diz respeito à avaliação do colegiado sobre o cenário prospectivo de inflação, os efeitos da taxa de juros elevada sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho, e como esses fatores influenciam a assimetria do balanço de riscos observada pelo Banco Central. A expectativa é de manutenção de uma linguagem cautelosa", disse Costa.
Além das decisões de juros, a agenda internacional inclui a temporada de balanços nos Estados Unidos, que ganha destaque com a divulgação dos resultados de empresas como Microsoft, Meta Platforms, Tesla, ASML e IBM, números que tendem a influenciar o humor dos mercados globais.
O pano de fundo para a agenda carregada é o forte desempenho recente da bolsa brasileira. Com o avanço acumulado, janeiro de 2026 já se insere entre os episódios de maior valorização mensal do Ibovespa em mais de uma década.
Desde 2010, apenas 13 meses registraram altas superiores a dois dígitos no índice, segundo dados da consultoria Elos Ayta.