Plantação de soja: A perda de produtividade agrícola já é sentida nas principais culturas. Em média global, as produtividades caem 7,5% no milho, 6,0% no trigo, 6,8% na soja e 1,2% no arroz a cada 1°C de aquecimento, diz pesquisa. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 22 de abril de 2026 às 16h17.
O impacto mais crítico, no entanto, recai sobre os trabalhadores rurais. O relatório alerta que o aumento das temperaturas está tornando o trabalho no campo cada vez mais perigoso e, em alguns casos, inviável por longos períodos do ano.
“Os dias por ano muito quentes para o trabalho rural podem chegar a 250 no sul da Ásia, na África Subsaariana e partes da América do Sul e Central”, aponta o estudo. Isso significa que, em determinadas regiões, trabalhadores podem enfrentar condições inseguras durante a maior parte do ano.
Além do risco imediato de exaustão térmica e desidratação, o calor prolongado reduz a capacidade física e a produtividade da mão de obra. Segundo o relatório, o estresse térmico limita o tempo seguro de trabalho ao ar livre, afetando diretamente a renda de famílias que dependem da atividade agrícola.
O calor extremo também amplia desigualdades sociais no campo, já que pequenos produtores e trabalhadores informais têm menos acesso a proteção, tecnologia e infraestrutura para mitigar os impactos.
O estudo ainda destaca que a combinação de calor intenso com alta umidade agrava os riscos à saúde, elevando a probabilidade de doenças relacionadas ao calor e acidentes de trabalho.
Além disso, os efeitos indiretos intensificam o problema. O aumento do estresse hídrico e das secas repentinas reduz a disponibilidade de água, afetando tanto a produção quanto as condições de vida no campo.