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'Guerra dos tomates': como o Ceará pode se tornar o maior produtor do fruto do Nordeste

Estado tem potencial de ultrapassar a Bahia, atualmente o principal produtor do fruto na região brasileira

Tomates (Paulo Whitaker/Reuters)

Tomates (Paulo Whitaker/Reuters)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de novembro de 2024 às 07h00.

Enquanto a Espanha celebra a tradicional "La Tomatina", o Nordeste brasileiro vivencia uma "batalha" produtiva de tomates. O Ceará está prestes a ultrapassar a Bahia e se consolidar como o principal produtor de tomates da região, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estimativa de outubro para 2024 projeta uma produção de 195.321 toneladas em uma área colhida de 2.732 hectares, consolidando o Ceará como o maior produtor de tomates do Nordeste, com o maior rendimento financeiro por hectare.

Em nível nacional, Goiás lidera a produção de tomates, com estimativa de 990.000 toneladas em 2024, seguido por São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná.

Embora a Bahia tenha uma área plantada maior, de 4.240 hectares, com produção projetada de 182.317 toneladas, o Ceará se destaca pela eficiência produtiva, impulsionada pelo uso de tecnologias avançadas e irrigação de precisão – uma técnica que assegura o fornecimento de água no momento, local e quantidade ideais para o cultivo.

Desde 2016, o Ceará investiu mais de R$ 14 milhões em projetos de irrigação por meio do Programa Irrigação na Minha Propriedade (PIMP), coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA).

A iniciativa resultou na instalação de 558 projetos em quase todos os municípios do estado. Em 2024, o Ceará expandiu ainda mais sua capacidade, com a criação de dois novos polos de irrigação nas regiões da Ibiapaba e do Cariri.

Segundo Carlos Matos, ex-secretário de Agricultura do Ceará, o avanço do estado na tomaticultura reflete uma evolução contínua ao longo da última década.

“O crescimento é um exemplo do potencial do agronegócio cearense, que, com as devidas ações, pode atingir novos patamares e contribuir ainda mais para a economia local”, afirma.

Desde 2019, o estado intensificou seus esforços no setor agrícola, com investimentos em sistemas de irrigação modernos e no controle eficiente de pragas, o que tem elevado significativamente a produtividade.

O rendimento médio subiu de 43.693 quilos por hectare em 2000 para 72.470 kg/ha em 2023, com um salto expressivo entre 2018 e 2020, quando passou de 56.269 kg/ha para 71.087 kg/ha.

Plano Safra 2024/25

Para fortalecer a produção agrícola, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará anunciou que o Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/2025, do Governo Federal, disponibilizará até R$ 1,8 bilhão em crédito rural – o objetivo é assegurar a produção sustentável de alimentos no estado.

Nos últimos cinco anos, o tomate se consolidou como o principal produto da agricultura irrigada cearense, superando cultivos tradicionais como milho e feijão.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) projeta, para 2024, aumento na produção de quase todas as culturas colhidas no primeiro trimestre.

Entre as hortaliças, destaca-se o crescimento na produção de tomate (+3,9%), pimentão (+6,7%) e alface (+4,2%). De acordo com o IBGE, o Brasil deve produzir 4,237 milhões de toneladas de tomate em 2024, com o Nordeste respondendo por cerca de 488.603 toneladas.

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