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Frete no agro deve subir em 2026 com supersafra e menos oferta

Valor médio do frete rodoviário fechou o 4º tri de 2025 com alta de 19% frente ao mesmo período de 2024, diz Índice Frete.com de Preços (IFP)

Caminhão no porto: preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano e intensificar aumentos nos períodos de pico da safra
 (Silvio Avila/AFP/Getty Images)

Caminhão no porto: preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano e intensificar aumentos nos períodos de pico da safra (Silvio Avila/AFP/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O Brasil deve renovar o recorde de produção de grãos na safra 2025/26, com estimativa de 353 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A supersafra, no entanto, deve pressionar novamente a logística e encarecer o transporte rodoviário em 2026.

A combinação entre maior volume escoado e o aumento do rigor regulatório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tende a elevar os custos ao longo de 2026. Projeções da Frete.com indicam alta de 17,1% no frete da soja, 8,8% no milho e 19,1% no transporte de fertilizantes.

O principal vetor de pressão é a fiscalização eletrônica da ANTT, que passou a cruzar automaticamente os valores pagos com os pisos mínimos estabelecidos pela agência. Desde outubro do ano passado, o monitoramento ficou mais rígido, reduzindo a flexibilidade para negociações abaixo da tabela.

Além da fiscalização mais intensa, a ANTT reajustou a tabela de pisos mínimos em 2025, com aumentos entre 0,82% e 3,55%, considerando a variação do diesel e da inflação.

“Na média, o preço do frete agrícola deve subir entre 5% e 6% neste ano, mas os meses de pico devem registrar aumentos ainda maiores”, diz Roberto Junior, gerente de inteligência de negócios da Frete.com.

Preço dos fretes em 2025

O valor médio do frete rodoviário fechou o quarto trimestre de 2025 em R$ 0,422 por tonelada/quilômetro, alta de 19% frente ao mesmo período de 2024, mostram dados do Índice Frete.com de Preços (IFP), divulgados na primeira edição do relatório Frete Insights.

O IFP avançou 9,65% apenas em outubro, marcando um ponto de inflexão no mercado, impulsionado pelo maior rigor na fiscalização e pela atualização da tabela de piso mínimo.

Segundo a empresa, o setor passou a operar com um piso regulatório mais rígido, limitando quedas de preços mesmo em períodos de menor demanda.

“O frete deixou de ser apenas um reflexo de volume ou custo do diesel. Hoje, ele é ancorado por fatores estruturais como restrição de oferta, sazonalidade do agro e o piso regulatório da ANTT”, afirma Federico Vega, CEO da Frete.com.

Segundo o executivo, “os preços se mantêm elevados mesmo em períodos de menor demanda.

Outro fator de pressão é a escassez de caminhões em corredores estratégicos do agronegócio.

Estados como São Paulo (4,35 cargas por caminhão), Rio Grande do Sul (3,85) e Mato Grosso (3,65) registraram níveis críticos de ocupação da frota, elevando o poder de barganha dos transportadores.

“As rotas de alto fluxo do Centro-Oeste para portos do Sul e Sudeste exibiram as maiores altas ano contra ano — um indicativo de que a demanda concentrada no agro foi determinante para a valorização do frete”, aponta o relatório.

Outro elemento relevante foi o descolamento entre o preço do diesel e o preço do frete no curto prazo.

Em diferentes períodos de 2024 e 2025, o frete subiu mesmo sem pressão significativa do combustível — evidência de que fatores como oferta, demanda, sazonalidade agrícola e restrições operacionais passaram a desempenhar papel mais relevante na formação de preço, diz o documento.

A escassez de caminhoneiros também reforça o cenário de custos mais altos. “Ainda há um ciclo de entrada e saída de caminhoneiros conforme o mercado aquece ou esfria. Isso limita a capacidade de resposta do setor”, diz Vega.

Mesmo com redução do volume total de fretes em algumas regiões em 2025, os preços permaneceram em trajetória de alta — sinal de uma mudança estrutural no mercado.

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