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Exportações de café do Brasil caem 27% no 1º bimestre de 2026

Recuo nas vendas externas é puxado pelo arábica, cujos preços caem na Bolsa de Nova York, diz Cecafé

Exportação de café: embarques brasileiros do grão devem crescer 12% na nova safra
 (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

Exportação de café: embarques brasileiros do grão devem crescer 12% na nova safra (Paulo Fridman/Corbis/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 10 de março de 2026 às 17h03.

As exportações brasileiras de café somaram 5,410 milhões de sacas no primeiro bimestre de 2026, queda de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 10, pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em termos de receita, a retração foi menor. A receita cambial das exportações recuou 13%, passando de US$ 2,575 bilhões para US$ 2,241 bilhões no período.

Segundo Marcio Ferreira, presidente do Cecafé, a redução nas vendas externas ocorre principalmente por causa do desempenho do café arábica. As cotações do arábica vêm registrando queda acentuada e rápida na Bolsa de Nova York.

Segundo Ferreira, fundos de investimento estão liquidando posições compradas ao antecipar maior disponibilidade do produto na próxima safra.

O executivo afirma que a expectativa de maior oferta global pressiona os preços e influencia o ritmo das exportações brasileiras.

Esse cenário se soma a outros fatores, como a valorização do real frente ao dólar e a postura mais cautelosa dos produtores. Capitalizados e com remanescentes ajustados da safra atual, eles têm dosado a oferta, o que reduz a competitividade do café brasileiro frente a outras origens.

“Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, afirma Ferreira.

Segundo o presidente do Cecafé, tensões geopolíticas no Oriente Médio e gargalos logísticos também podem ampliar as dificuldades nas exportações.

Apesar do cenário atual, o setor espera uma retomada gradual dos embarques ao longo do ano.

Ferreira diz que o café conilon já apresenta sinais de recuperação, impulsionado por maiores estoques de passagem e pela colheita que começa a ser comercializada a partir de maio.

No caso do arábica, a expectativa é de que os embarques ganhem força a partir de junho, com a chegada da nova safra, que deve apresentar volume mais relevante do que a anterior.

A produção brasileira de café deve crescer 17,1% em 2026 em relação a 2025, alcançando 66,2 milhões de sacas, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A Conab projeta uma colheita de 44,1 milhões de sacas de café arábica, um crescimento de 23,3% em relação ao ciclo anterior. A alta é explicada pelo aumento da área em produção, pelas condições climáticas mais favoráveis e pelo efeito da bienalidade.

A produção de café conilon também deve crescer, com expectativa de 22,1 milhões de sacas — alta de 6,4% em relação a 2025. O aumento é atribuído à expansão da área cultivada e ao clima favorável observado até o momento.

Na mesma linha, as exportações devem subir 12% e alcançar 45,6 milhões de sacas, projeta o Itaú BBA.

Principais destinos do café brasileiro

A Alemanha foi o principal destino do café do Brasil no primeiro bimestre deste ano, com a importação de 786.589 sacas. O volume representa 14,5% do total exportado, apesar de uma queda de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição do ranking, com participação de 12,1%. O país importou 656 mil sacas, volume 45,8% menor na comparação anual.

Na sequência aparecem Itália, com 568.598 sacas (+5,9%); Bélgica, com 331.747 sacas (-6,8%); e Japão, com 315.816 sacas (-34,5%).

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