Exportação de café: Os embarques brasileiros de café somaram 3,040 milhões de sacas de 60 kg em março, gerando receita cambial de US$ 1,125 bilhão. (Gerado por IA/Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 13 de abril de 2026 às 17h00.
As exportações de café do Brasil somaram 8,465 milhões de sacas no primeiro trimestre deste ano, queda de 21,2% em relação às 10,739 milhões registradas no mesmo período de 2025. A receita cambial também recuou, atingindo US$ 3,371 bilhões — 13,6% abaixo dos US$ 3,901 bilhões apurados um ano antes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 13, pelo Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé).
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho reflete o período de entressafra da cafeicultura brasileira e o atual cenário financeiro dos produtores.
“A nova safra começará a chegar ao mercado em abril, no caso dos cafés canéforas, como robusta e conilon, e mais para o fim de maio para os arábicas. Além disso, os cafeicultores estão capitalizados e avaliando os melhores momentos para negociar seus cafés remanescentes, o que reduz a oferta disponível”, afirma.
O executivo também destaca que o cenário logístico e a geopolítica global impactaram as exportações.
“A infraestrutura defasada nos portos do país, cujo avanço não acompanha o agronegócio, segue interferindo na capacidade de exportação, com centenas de contêineres retidos aguardando embarque e gerando prejuízos milionários”, diz.
A Alemanha se manteve como principal destino do café brasileiro no período, com a importação de 1,192 milhão de sacas — queda de 15,6% na comparação anual e participação de 14,1% no total exportado. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 936.617 sacas, recuo de 48,3% e fatia de 11,1%.
Completam a lista dos cinco maiores compradores a Itália, com 885.162 sacas e alta de 10,2%; a Bélgica, com 527.456 sacas e avanço de 4,5%; e o Japão, com 440.085 sacas, registrando queda de 35%.
Os embarques brasileiros de café somaram 3,040 milhões de sacas de 60 kg em março, gerando receita cambial de US$ 1,125 bilhão. Na comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valor.
Com esse desempenho, as exportações do produto atingiram 29,093 milhões de sacas no acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra 2025/2026, volume 21,2% inferior ao registrado no mesmo intervalo anterior.
Em receita, as remessas somaram US$ 11,431 bilhões, alta de 2,9% em relação ao apurado entre julho de 2024 e março de 2025.