EUA perdem lugar no mercado chinês de carne bovina, Austrália é a maior beneficiária e Brasil mantém sua hegemonia (Mohssen Assanimoghaddam/Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11h44.
Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 11h45.
O Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, pode passar a reduzir a produção em 2026, após a China impor cotas às importações — o país asiático é o principal comprador da proteína brasileira.
A cota estabelecida por Pequim é inferior ao volume de embarcações nos últimos anos, o que deve forçar os frigoríficos a cortar a produção ainda neste ano, segundo informações de bancos e consultorias à Bloomberg, que revisaram para baixo a produção do setor.
“É um revés importante para a indústria de carnes”, afirmou Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, à Bloomberg. Ele estima que as restrições chinesas levem a um recuo de 3,6% nos abates no Brasil em 2026, em comparação com 2025.
Segundo ele, a produção total de carne bovina deve cair em proporção semelhante. Antes do anúncio de Pequim, a projeção era de uma queda de 2,8% nos abates.
A China anunciou no último dia de 2025 a imposição de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem determinadas cotas.
Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país asiático, ficará com a maior fatia: 41,1% ou 1,1 milhão de toneladas.
Em seguida vêm a Argentina, com 19,0%, e o Uruguai, com 12,1%. Para a Austrália e os Estados Unidos, foram alocadas cotas de 205 mil e 164 mil toneladas, respectivamente.
No ano passado, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, com 1,7 milhão de toneladas importadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.
Nos últimos anos, as operações brasileiras de grandes frigoríficos foram impactadas pelo baixo custo do gado e pela demanda interna aquecida, levando a exportações ao nível recorde.
O Brasil renovou seu recorde de exportação de carne bovina em 2025, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas — um aumento de 21% em relação a 2024. Em valor, as vendas cresceram 40%, alcançando US$ 18,03 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
A decisão de impor a medida de salvaguarda atendeu a uma solicitação da Associação Chinesa de Agricultura Animal (CAAA), que representa os interesses da indústria local. A entidade argumenta que o crescimento das importações tem causado prejuízos significativos à cadeia doméstica de carne bovina, impactando diretamente sua saúde financeira.
As tarifas adicionais entraram em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e serão aplicadas por um período de três anos, até 31 de dezembro de 2028, sob a forma de cotas tarifárias específicas para cada país.
Um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que a implementação das medidas de salvaguarda sobre a carne bovina importada procura oferecer apoio gradual à indústria nacional, ajudando-a a superar suas dificuldades — e não restringir o comércio regular do produto.