Carne bovina: México encerrou 2025 como o quinto principal destino da carne bovina brasileira. (Freepik/Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 14h37.
Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 14h40.
O Brasil renovou seu recorde de exportação de carne bovina em 2025, com 3,5 milhões de toneladas embarcadas — um aumento de 21% em relação a 2024. Em valor, as vendas cresceram 40%, alcançando US$ 18,03 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 7, pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
O destaque do período foi o México, cujas importações da proteína brasileira saltaram 156,2% em volume e 199% em receita, totalizando 118 mil toneladas e US$ 645,4 milhões em compras. Ainda assim, o país encerrou 2025 como o quinto principal destino da carne bovina brasileira.
No setor, já havia a expectativa de que o México consolidasse sua posição entre os maiores mercados da proteína brasileira.
Em agosto, durante missão oficial ao país, Roberto Perosa, presidente da Abiec, chegou a afirmar que o Brasil "dobraria suas exportações para o México".
O avanço foi impulsionado por dois fatores principais. Em 2023, o Brasil finalmente conseguiu acesso ao mercado mexicano de carne bovina — uma abertura aguardada há anos pela indústria.
Além disso, o produto nacional se beneficiou do programa Paquete Contra la Inflación y la Carestía (PACIC), da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que isenta de tarifas os itens da cesta básica para conter a inflação local.
Para 2026, no entanto, o cenário se tornou mais incerto. Na segunda-feira, 5, o México anunciou cotas de importação para carnes bovina e suína, em meio ao avanço da bicheira-do-Novo-Mundo (NWS, na sigla em inglês), parasita que afeta o rebanho bovino do país.
Segundo comunicado oficial, os volumes que excederem os limites estabelecidos passarão a pagar tarifas, o que pode afetar as exportações de fornecedores como o Brasil. O governo mexicano, no entanto, não especificou os volumes destinados a cada país.
A China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira em 2025, com 1,7 milhão de toneladas exportadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.
Na segunda posição apareceram os Estados Unidos, com 272 mil toneladas compradas e US$ 1,64 bilhão em receita, registrando crescimentos de 18,3% em volume e 21,3% em valor.
O desempenho americano chamou atenção ao longo do ano, especialmente após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros — incluindo a carne bovina — pelo presidente Donald Trump.
A União Europeia ficou em terceiro lugar, com 129 mil toneladas importadas e US$ 1,06 bilhão em receita — um avanço de 56,6% em volume e 75,5% em valor.
O Chile, parceiro tradicional do Brasil na América do Sul, ocupou a quarta posição, com 136 mil toneladas e US$ 754,5 milhões em compras, registrando altas de 23,4% em volume e 41,5% em valor.
Em quinto, o destaque do ano foi o México, com importações de 118 mil toneladas e US$ 645,4 milhões — um salto de 156% em volume e 199% em receita.