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Clima extremo e guerra pressionam grãos e elevam preços globais dos alimentos

Índice da ONU aponta mudanças climáticas e conflitos como as guerras no Irã e na Ucrânia como principais cúmplices da alta

Em meio às mudanças climáticas e a choques de conflitos, preço médio de alimentos atinge maior nível em três anos (John Deere/Divulgação)

Em meio às mudanças climáticas e a choques de conflitos, preço médio de alimentos atinge maior nível em três anos (John Deere/Divulgação)

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08h00.

Os preços globais dos alimentos atingiram o nível mais alto em três anos e meio, impulsionados por ondas de calor no hemisfério norte e por conflitos no leste europeu e no Oriente Médio, alerta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O índice de preços de commodities alimentares da FAO subiu para 131,1 pontos em julho, acima dos 130,3 registrados em junho. Trata-se do patamar mais elevado desde janeiro de 2023.

O indicador acompanha a variação mensal de uma cesta de produtos alimentícios negociados no comércio internacional. Segundo a entidade, os principais motivos por trás das altas nos preços são os conflitos internacionais e a mudança climática, que gera intensas ondas de calor em todo o mundo.

Segundo a FAO, o avanço foi liderado pelos cereais, pelo açúcar e pelos óleos vegetais, com o trigo desempenhando um papel central no movimento de alta.

Ademais, as ondas de calor reduziram a produtividade em importantes países produtores, elevando as preocupações quanto à oferta global.

Alta

Os preços dos cereais aumentaram 3,4% em julho, em relação ao mês anterior. Por sua vez, o trigo registrou alta de 5,8% no mercado internacional. A FAO apontou que os ataques intensificados entre Rússia e Ucrânia prejudicaram a infraestrutura de exportação e mantiveram as incertezas quanto aos fluxos pelo Mar Negro.

O milho também apresentou forte valorização, com um aumento de 3,6% no mês. A organização atribuiu a alta às preocupações com o tempo quente e seco em partes do Corn Belt, principal região produtora dos Estados Unidos. O risco climático passa a ser monitorado de perto por analistas e importadores.

Enquanto isso, na Europa, a onda de calor registrada em junho provocou perdas significativas nas lavouras.

Estimativas apontam que agricultores foram forçados a destruir cerca de 9 milhões de toneladas de culturas como trigo, cevada, milho e aveia. Cientistas associam a intensidade do evento ao agravamento da crise climática causado pelas emissões de carbono.

O açúcar registrou uma das maiores altas do período, com avanço de 5,6% em julho. A FAO citou temores quanto ao clima quente e seco na União Europeia e aos efeitos do rápido desenvolvimento do fenômeno El Niño.

O mercado também reagiu a mudanças no Brasil que ampliaram a mistura de etanol na gasolina, o que aumentou a demanda da indústria sucroenergética.

Os óleos vegetais subiram 2% no mês, sustentados pela demanda firme do setor de biodiesel da Indonésia. A valorização do petróleo bruto também contribuiu para o movimento. Com energia mais cara, cresce o interesse por combustíveis renováveis produzidos a partir de matérias-primas agrícolas.

Além do clima, os conflitos internacionais continuam afetando os custos da produção agrícola.

A guerra envolvendo o Irã elevou as preocupações com o fornecimento de fertilizantes, já que cerca de um terço da produção mundial passa pelo estreito de Ormuz. Qualquer interrupção nessa rota pode encarecer os insumos utilizados nas lavouras em diversos países.

Todavia, nem todos os alimentos ficaram mais caros em julho. Os preços da carne caíram 2,8%, a primeira queda mensal do ano, com recuos em aves, suínos e bovinos. Os produtos lácteos também recuaram 0,7%, pressionados pela queda da manteiga e do leite em pó, embora os preços do queijo tenham registrado a primeira alta mensal em 12 meses.

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