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Milho e trigo: o estrago bilionário da onda de calor europeia na produção de alimentos

Valor da produção perdida corresponde a cerca de 5% do valor estimado da safra de grãos de 2025

Plantação de milho: milho respondeu por cerca de metade da redução nas estimativas de produção após ser atingido pela onda de calor durante a fase de polinização, principalmente na França e na Hungria. (Freepik/Freepik)

Plantação de milho: milho respondeu por cerca de metade da redução nas estimativas de produção após ser atingido pela onda de calor durante a fase de polinização, principalmente na França e na Hungria. (Freepik/Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de julho de 2026 às 12h20.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 12h22.

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A onda de calor que atingiu a Europa em junho provocou um prejuízo estimado em 2 bilhões de euros à safra de grãos do continente e reduziu em quase 9 milhões de toneladas as projeções de produção da União Europeia e do Reino Unido.

O valor da produção perdida equivale a cerca de 5% do valor estimado da safra de grãos de 2025, considerando os preços recebidos pelos produtores de trigo, cevada, milho e outras culturas — o cálculo não inclui prejuízos em hortaliças nem perdas na pecuária.

Segundo estimativas da Coceral, associação que representa o comércio europeu de grãos, e da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU), as perdas atingiram culturas como trigo, milho, cevada e aveia e devem levar a produção europeia ao menor patamar desde 2018.

A revisão das projeções ocorre após a Europa registrar o mês de junho mais quente da história. As temperaturas ficaram, em média, 3°C acima da média do período de 1991 a 2020. Na França, os termômetros ultrapassaram 43°C, enquanto, na Hungria, superaram 40°C.

O milho respondeu por cerca de metade da redução nas estimativas de produção após ser atingido pela onda de calor durante a fase de polinização, principalmente na França e na Hungria. Com isso, a projeção para a safra de milho da União Europeia e do Reino Unido foi reduzida de 57,2 milhões para 52,7 milhões de toneladas.

O trigo também sofreu os efeitos das altas temperaturas durante a fase de enchimento dos grãos, período em que a cultura depende de umidade para completar seu desenvolvimento.

A França concentrou a maior parte das perdas: a previsão para a safra de grãos do país foi reduzida em 4,1 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 891 milhões de euros pelos preços atuais.

Segundo os analistas, a menor oferta poderá ampliar a dependência europeia das importações de milho e reduzir a disponibilidade de trigo francês para exportação. Os efeitos sobre os preços internacionais, porém, dependerão também do desempenho das safras no Hemisfério Sul.

O abastecimento agrícola global também segue sob pressão. No sul e no oeste dos Estados Unidos, amplas áreas continuam enfrentando secas severas, o que afeta tanto a produção de grãos quanto a pecuária.

Produção de batata

A onda de calor também aumentou as incertezas sobre a safra europeia de batata em 2026. O caso mais preocupante é o da Espanha, onde produtores de Castela e Leão, principal região produtora do país, relatam que temperaturas acima de 30°C interromperam o desenvolvimento da cultura e reduziram o crescimento dos tubérculos.

Segundo a FreshPlaza, a produtividade pode cair entre 10% e 15%, enquanto a área plantada na região também deve encolher entre 10% e 15%. Na Andaluzia, a redução da área chega a cerca de 5%.

As projeções já indicam queda na produtividade da batata em importantes produtores europeus. Na Holanda, a expectativa é de 43,3 toneladas por hectare, recuo de 6% em relação a 2025.

Na Bélgica, a queda prevista é de 5%; na Polônia, de 7%; e na Alemanha, de 1%. A França é a exceção, com expectativa de alta de 1% na produtividade. As estimativas ainda podem ser revisadas, dependendo das chuvas e das condições climáticas nas próximas semanas.

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