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Tarifa de Trump ameaça quase R$ 724 milhões do agro gaúcho exportados aos EUA

Rio Grande do Sul é mais vulnerável que a média brasileira à proposta de sobretaxa de 25%, diz Farsul em estudo

Expointer- Parque Estadual de Exposições Assis Brasil - Esteio- Rio Grande do Sul (RS): A vulnerabilidade do Rio Grande do Sul decorre da própria composição de sua pauta exportadora. (Eduardo Frazão/Exame)

Expointer- Parque Estadual de Exposições Assis Brasil - Esteio- Rio Grande do Sul (RS): A vulnerabilidade do Rio Grande do Sul decorre da própria composição de sua pauta exportadora. (Eduardo Frazão/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 2 de junho de 2026 às 16h18.

Última atualização em 2 de junho de 2026 às 17h11.

A proposta do governo de Donald Trump de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros pode atingir de forma desproporcional o agronegócio do Rio Grande do Sul, segundo estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Enquanto 36,8% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos estariam dentro do escopo da medida, no Rio Grande do Sul esse percentual sobe para 74,9%. Em valores, isso significa que cerca de US$ 144 milhões (aproximadamente R$ 724 milhões) das exportações do agro gaúcho realizadas em 2025 poderiam ser afetadas pela sobretaxa.

O levantamento foi elaborado com base na proposta em análise pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

A iniciativa integra uma investigação conduzida pela administração americana com base na Seção 301 do Trade Act de 1974, instrumento utilizado pelos EUA para apurar práticas consideradas desleais de comércio. A proposta foi divulgada na noite de segunda-feira, 1º.

Entre os temas citados pelos americanos estão o Pix, políticas tarifárias, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

A maior preocupação para o Rio Grande do Sul está concentrada no setor de tabaco, um dos pilares da pauta exportadora do estado.

O principal item potencialmente afetado é o fumo não manufaturado do tipo Virgínia, responsável por US$ 122 milhões em embarques para os Estados Unidos. Com uma sobretaxa de 25%, o impacto potencial seria de aproximadamente US$ 30 milhões.

Na sequência aparecem a madeira serrada de pinus, com US$ 81 milhões em exportações; os calçados de couro, com US$ 62 milhões; o fumo não manufaturado do tipo Burley, com US$ 49 milhões; e o sebo bovino, com US$ 33 milhões.

Segundo a análise da Farsul, o setor de fumo sozinho responde por 31,4% de todo o valor do agronegócio gaúcho potencialmente atingido pela medida.

Agro gaúcho

A vulnerabilidade do Rio Grande do Sul decorre da própria composição de sua pauta exportadora.

Produtos como carne bovina fresca, café em grão, suco de laranja concentrado e fertilizantes estão entre os itens incluídos nas listas preliminares de exclusão da proposta americana, o que reduz a exposição de importantes setores exportadores do Brasil.

No caso gaúcho, porém, a forte presença de segmentos como fumo, madeira e produtos florestais amplia significativamente o risco.

Enquanto 43,7% das exportações totais brasileiras para os Estados Unidos seriam atingidas pela medida, no Rio Grande do Sul esse percentual chega a 81,1%.

Os dados da Farsul indicam que, dos US$ 1,65 bilhão exportados pelo estado para os Estados Unidos em 2025, cerca de US$ 1,34 bilhão estariam potencialmente sujeitos à sobretaxa.

A proposta ainda está em discussão nos Estados Unidos e pode sofrer alterações antes de uma eventual implementação.

Para o setor exportador gaúcho, no entanto, as negociações em torno da lista de exclusões já são consideradas estratégicas para mitigar possíveis impactos em um dos principais destinos internacionais dos produtos do estado.

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