Produção de leite: No Brasil, o terceiro trimestre marca a transição entre o período de maior oferta e a entressafra. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 12 de julho de 2026 às 07h00.
Mesmo com a produção em alta, os preços do leite não devem registrar uma queda significativa no terceiro trimestre de 2026. Para a StoneX, o avanço da demanda por proteínas, aliado a riscos climáticos e sanitários, deve limitar um recuo mais acentuado das cotações ao longo dos próximos meses.
No Brasil, o terceiro trimestre marca a transição entre o período de maior oferta e a entressafra.
Segundo a consultoria, o Sul do país ainda mantém um ritmo elevado de produção, favorecido pelas culturas de inverno e por condições climáticas mais favoráveis, enquanto o restante do país já começa a sentir os efeitos da menor disponibilidade de leite.
"A oferta segue robusta. A captação do primeiro trimestre apontou aumento de 2,6% em relação ao ano anterior, que já foi recorde, embora tenha desacelerado frente ao quarto trimestre de 2025 (+8%)", afirmam os analistas Nate Donnay e Juliana Torres, que assinam o relatório.
Apesar da maior oferta, a consultoria avalia que a perda de rentabilidade observada pelos produtores na segunda metade de 2025 ainda deve limitar a expansão da produção ao longo deste ano.
Segundo os analistas, esse efeito ainda não aparece integralmente nos dados disponíveis, mas tende a reduzir o ritmo de crescimento da captação nos próximos meses.
No cenário internacional, a StoneX avalia que o mercado de leite e lácteos caminha para um período de equilíbrio entre uma oferta crescente e uma demanda ainda resiliente.
Para a consultoria, a correção observada recentemente representa um ajuste após meses de forte valorização, mas não altera a tendência para o restante do ano.
"Com a oferta ainda ampla, os preços se ajustam para baixo. Ainda assim, o crescimento da produção desacelera e há riscos de queda ao longo do segundo semestre, diante de fatores climáticos e sanitários", diz o relatório.
Do lado da demanda, a consultoria observa que muitos importadores reduziram o ritmo das compras após recompor estoques durante o primeiro semestre. Parte desses compradores deve permanecer fora do mercado até o fim do terceiro trimestre.
Ainda assim, o consumo segue favorecido pela procura por proteínas, fator que continua oferecendo sustentação aos preços.
Entre os principais fatores de alta, a StoneX cita a demanda acima do esperado no segundo trimestre, o consumo firme de proteínas e os riscos climáticos e sanitários.
Já entre os fatores de baixa estão a produção ainda elevada entre os principais exportadores, os estoques elevados na Europa — especialmente de manteiga — e a possibilidade de novos adiamentos nas compras por parte de importadores que já recompuseram seus estoques.
Nos Estados Unidos, a produção de leite continua em expansão, embora em ritmo mais moderado. O crescimento anualizado desacelerou de 5% no primeiro trimestre para cerca de 3,5% no segundo.
Ainda assim, a StoneX afirma que a rentabilidade do setor permanece elevada.
"Os preços do leite seguem próximos ou acima do ponto de equilíbrio e as perspectivas para o segundo semestre são semelhantes. Com os preços do gado ainda próximos das máximas históricas, os produtores vêm obtendo ganhos relevantes com a venda de bezerros mestiços leite x corte e vacas de descarte", afirmam os analistas.
Segundo o relatório, os investimentos realizados nos últimos anos também ampliaram a capacidade de processamento da indústria americana, permitindo uma expansão maior da produção.
Na União Europeia e no Reino Unido, a oferta também continua crescendo, mas em ritmo mais lento. As margens seguem positivas, embora inferiores às observadas em 2025, enquanto aumentam as preocupações com os efeitos do clima.
"O clima no segundo trimestre foi mais quente e seco em partes do continente, gerando preocupações quanto aos efeitos do El Niño. Doenças animais também representam um risco para a região, principalmente a Língua Azul (Bluetongue) e, possivelmente, a Febre Aftosa", aponta o relatório.
Na Nova Zelândia, a safra 2025/26 foi encerrada com crescimento estimado de 4,4%, o maior desde o início da década.
A StoneX atribui o resultado às boas condições climáticas e à elevada rentabilidade dos produtores, embora ressalte que a forte dependência das pastagens torna o país mais vulnerável aos impactos do El Niño.