Carne bovina: moscas-varejeiras são parasitas cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas de animais. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 16h28.
Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 16h45.
Autoridades mexicanas confirmaram, na noite de quinta-feira, 1º, um novo caso do parasita conhecido como bicheira do Novo Mundo. Este é o segundo registro em apenas dois dias, enquanto o país intensifica esforços para conter um surto que mantém a fronteira entre Estados Unidos e México fechada para o gado mexicano.
Embora autoridades americanas afirmem que o parasita ainda não cruzou a fronteira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a ameaça possa causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão à economia do Texas, disse a Reuters.
Segundo o Ministério da Agricultura do México, o parasita foi identificado em uma cabra no Estado do México, região que faz divisa com a capital, Cidade do México.
O animal foi tratado, e os outros 20 que estavam no mesmo local testaram negativo e receberam tratamento preventivo.
Na quarta-feira, 31, as autoridades haviam relatado um caso em um bezerro de apenas seis dias de vida no estado de Tamaulipas, no norte do país. Assim como no novo episódio, este foi o único animal infectado no local.
De acordo com dados oficiais atualizados até 31 de dezembro de 2025, o México já contabiliza 13.106 casos da praga desde novembro de 2024, dos quais 671 permaneciam ativos.
O estado de Chiapas, no sul do país, lidera o número de ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán.
As moscas-varejeiras são parasitas cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas de animais.
As larvas se alimentam do tecido vivo e, se não tratadas, podem levar à morte do hospedeiro.
O surto atual teve origem na América Central e avançou para o norte, afetando as cadeias pecuária e de carne bovina tanto no México quanto nos Estados Unidos.
Em razão do avanço da praga, os Estados Unidos mantêm sua fronteira sul praticamente fechada para a entrada de gado mexicano desde maio.
O avanço da doença no México deve dificultar ainda mais os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir os preços da carne bovina no país.
De janeiro a julho, o preço da carne moída — um dos principais cortes usados na produção de hambúrgueres — subiu 15,3%, atingindo US$ 6,34 por libra (cerca de R$ 75 o quilo).
Nos últimos dois anos, o aumento acumulado chega a 23%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). Cerca de 80% da carne moída consumida nos EUA é destinada à produção de hambúrgueres.
A alta nos preços é resultado de uma combinação de fatores, como as condições climáticas adversas, a redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo próprio governo Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025.
Desde 2019, o número de gado de corte nos EUA caiu para 27,9 milhões de cabeças — uma retração de 13%. O inventário total de bovinos está no nível mais baixo desde 1952, segundo o USDA.
A tendência de queda no rebanho se intensificou ao longo da década. Em 2021, o USDA registrava 92,6 milhões de cabeças, número que agora está em 86,6 milhões.
No levantamento mais recente, divulgado em 12 de agosto, o USDA estimou uma produção de 25,9 bilhões de libras de carne bovina em 2026, o que representa uma redução de 4% em relação à previsão anterior.
A menor oferta de gado, somada à seca que atinge o oeste do país, elevou os custos dos pecuaristas, forçados a investir mais em ração devido à escassez de pasto. Muitos acabaram reduzindo o tamanho do rebanho, vendendo parte dos animais.
A pandemia de 2020 também afetou o setor: o fechamento de frigoríficos e as interrupções no processamento diminuíram a demanda por gado, pressionando os preços pagos aos criadores.
Outro fator de pressão foi a suspensão, em maio, das importações de gado do México, medida adotada para conter a disseminação da doença conhecida como a bicheira do Novo Mundo.
A praga, considerada altamente destrutiva, pode levar à morte dos animais infectados e, em casos mais raros, também atingir aves e seres humanos.
Tradicionalmente, o gado mexicano era importado pelos EUA para ser engordado em confinamentos e posteriormente abatido em frigoríficos americanos.
Com a fronteira fechada, parte dessa oferta foi cortada — o que aumenta os desafios da Casa Branca no controle dos preços da carne.