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Trump diz que preço da carne vai cair nos EUA em meio a tarifaço e 'praga' do México

"Estamos trabalhando na carne bovina e acho que temos um acordo sobre isso", afirmou o republicano nesta sexta, 17

Carne: aumento nos preços da carne bovina nos Estados Unidos é resultado de uma combinação de fatores, como o clima, a redução do rebanho e a tarifa de 50% imposta por Trump sobre os produtos brasileiros (Freepik)

Carne: aumento nos preços da carne bovina nos Estados Unidos é resultado de uma combinação de fatores, como o clima, a redução do rebanho e a tarifa de 50% imposta por Trump sobre os produtos brasileiros (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 17 de outubro de 2025 às 12h01.

Última atualização em 17 de outubro de 2025 às 12h04.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 17, que sua administração está trabalhando para reduzir os preços da carne bovina no país. O republicano reconheceu que os preços da proteína estão "mais altos do que gostaríamos".

"Estamos trabalhando na carne bovina e acho que temos um acordo sobre isso. O preço está mais alto do que gostaríamos, mas isso também vai cair em breve. Fizemos algo a respeito", disse o presidente a repórteres na Casa Branca.

De janeiro a julho, o preço da carne moída, um dos principais cortes para hambúrgueres nos EUA, aumentou 15,3%, alcançando US$ 6,34 a libra (cerca de R$ 75/kg). Nos últimos dois anos, os preços da carne moída subiram 23%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). Nos EUA, 80% da carne moída consumida é destinada à produção de hambúrgueres.

O aumento nos preços da carne bovina nos Estados Unidos é resultado de uma combinação de fatores, como o clima, a redução do rebanho e a tarifa de 50% imposta por Trump sobre os produtos brasileiros.

Desde 2019, o número de gado de corte nos EUA caiu para 27,9 milhões, uma redução de 13%. O inventário total de bovinos está no nível mais baixo desde 1952, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Além disso, o rebanho de bovinos tem mostrado uma queda significativa ao longo desta década. Em 2021, o USDA registrou 92,6 milhões de cabeças de gado, número que agora caiu para 86,6 milhões.

Em seu último levantamento, de 12 de agosto, o USDA estimou que os pecuaristas americanos devem produzir 25,9 bilhões de libras de carne bovina neste ano, uma redução de 4% em relação à previsão inicial.

A menor oferta de gado nos Estados Unidos, combinada com uma seca que afetou o oeste do país, elevou os custos para os pecuaristas, que precisaram comprar mais ração para alimentar seus rebanhos. Com menos pasto disponível, muitos reduziram o tamanho de seus efetivos ao vender parte do gado.

O fechamento de frigoríficos e as interrupções no processamento de carne devido à pandemia de 2020 também diminuíram a demanda por gado, pressionando ainda mais os preços pagos aos criadores.

Recentemente, os pecuaristas sinalizaram que iniciaram a reconstrução de seus rebanhos para aproveitar os preços elevados, mas os resultados só serão visíveis a longo prazo.

"Esse é um processo lento, pois leva de dois a três anos para criar um bezerro até o abate", diz Fernando Iglesias, analista de pecuária da consultoria Safras & Mercado.

Os Estados Unidos também suspenderam, em maio, as importações de gado mexicano para evitar a disseminação da doença New World Screwworm (NWS), conhecida como "bicheira do Novo Mundo" a NWS é uma praga altamente devastadora.

Nas infecções por essa doença, as larvas matam o animal afetado e podem se espalhar para aves e, em casos raros, para seres humanos.

O gado mexicano era levado para os EUA, onde era engordado em confinamentos e abatido em unidades de processamento americanas.

Tarifaço no Brasil

Além do clima e da queda no rebanho, a implementação da tarifa de 50% sobre a carne brasileira pesa sobre os preços da proteína nos EUA.

Isso ocorre porque o Brasil exporta para os Estados Unidos cortes não consumidos por aqui e que lá são utilizados para fazer hambúrguer, como é o recorte dianteiro.

Com a sobretaxa, o importador da carne brasileira nos EUA precisa pagar mais caro e, consequentemente, repassar esse custo para o consumidor final. Em setembro, os EUA caíram para quarto lugar como importador da carne brasileira, com 9,9 mil toneladas.

Apesar do tarifaço, no acumulado de janeiro a setembro, os Estados Unidos seguem como o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne bovina em 2025.

Até setembro, o país importou 218,9 mil toneladas da proteína, volume 64,6% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Em receita, o crescimento foi de 54% nos nove primeiros meses do ano, alcançando US$ 1,3 bilhão, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) .

No mês passado, a Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que o USDA divulgaria, em meados de outubro, detalhes sobre um plano para revitalizar o rebanho dizimado, sem incluir pagamentos aos produtores. No entanto, até o momento, nenhum anúncio foi feito.

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