Ciência

Terremotos e reações em cadeia são frequentes

Especialistas afirmam que os terremotos são frequentemente seguidos por outros tremores de terra na mesma falha, como os que atingiram o Nepal

Equipes de resgate procuram sobreviventes em um prédio em Katmandu, Nepal (PRAKASH MATHEMA/AFP)

Equipes de resgate procuram sobreviventes em um prédio em Katmandu, Nepal (PRAKASH MATHEMA/AFP)

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Da Redação

Publicado em 12 de maio de 2015 às 19h43.

Paris - Os terremotos são frequentemente seguidos por outros tremores de terra na mesma falha, como os que atingiram o Nepal nesta terça-feira, 17 dias após a primeira catástrofe.

Um fenômeno de "reação em cadeia", segundo os cientistas, que pode levar a novas réplicas nos próximos dias.

QUESTÃO: O terremoto desta terça-feira está ligado ao de 28 de abril?

RESPOSTA: "Grandes terremotos são frequentemente seguidos por outros terremotos, às vezes tão fortes quanto o primeiro", explicou Carmen Solana, vulcanóloga da Universidade britânica de Portsmouth. "O primeiro terremoto impõe estresse adicional sobre falhas e os desestabiliza", detalhou. "É uma reação em cadeia".

"O terremoto de hoje ocorreu 75 km a leste de Katmandu. O epicentro de abril estava à mesma distância da capital nepalesa, mas para o oeste", notou David Rothery, professor de geociências planetárias da Open University britânica.

"Após o primeiro terremoto de abril, as réplicas foram transferidas para o sudeste", acrescentou Nigel Harris, sismólogo da Open University. "A composição da placa sub- adjacente foi prolongada do Ocidente para o Oriente" e "o segundo terremoto é uma extensão deste processo", disse.

O Nepal, como o resto do Himalaia, onde o encontro das placas tectônicas eurasiana e indiana, é uma região altamente sísmica.

"Os terremotos de hoje e o de abril são resultantes da convergência de placas tectônicas da Índia e euro-asiáticas", disse à AFP Pascal Bernard, sismólogo do Instituto de Física da Terra de Paris. "Como uma falha não é regular, não é contínua, não é significativamente sensível. Ela rompe em pedaços. Hoje, foi um novo pedaço que cedeu", segundo o cientista.

Q: Devemos temer outros terremotos num futuro próximo?

R: "Pode haver tremores secundários significativos ainda mais a leste nas próximas semanas, mas, a priori, espera-se que eles sejam mais fracos", avaliou David Rothery.

Para Pascal Bernard, "tremores na região certamente não irão exceder magnitude 5". " Esta região, a nordeste de Katmandu, já sofreu um forte terremoto há 80 anos. A pressão entre duas placas tectônicas já foram liberadas. As placas funcionam como uma mola, que agirá com menos força por já ter sido desempacotada".

Q: Por que esses terremotos são tão poderosos?

R: "O primeiro terremoto de magnitude 7,3 registrado na terça-feira e o de magnitude 6,3 que se seguiu podem ser considerados grandes réplicas da mesma magnitude do terremoto no Nepal, em 25 de abril. Em todos os três casos, o lugar da quebra das rochas em profundidade (a casa) é raso", explicou David Rothery.

"Este último terremoto irá causar mais danos às já enfraquecidas estruturas e mais danos para as áreas afetadas pelo desastre de abril. Grandes tremores secundários tendem a continuar nos próximos dias, nas próximas semanas, e podem destruir outros edifícios e produzir deslizamentos de terra e avalanches", afirmou Sandy Steacy, diretora da Escola de Ciências Físicas da Universidade de Adelaide.

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