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Robôs humanoides chegam às casas chinesas; mercado deve atingir US$ 1 bilhão em 2025

A China lidera a produção de robôs humanoides

72. SoftBank (Yoshikazu Tsuno/AFP)

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China2Brazil
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Agência

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 19h14.

Os robôs humanoides deixaram de ser restritos a laboratórios e feiras de tecnologia e começaram a integrar o ambiente doméstico na China. Famílias já experimentam modelos capazes de interagir com moradores, ajudar em tarefas básicas e monitorar ambientes. Essa adoção doméstica ocorre em meio a um mercado bilionário que deve alcançar 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,12 bilhão) na China em 2025, quase 50% do total global, segundo relatório apresentado em Pequim durante a 2ª Conferência Chinesa da Indústria de Robôs Humanoides e Inteligência Incorporada.

 

Há poucos anos, esses robôs se limitavam a correr, dançar e chamar atenção em eventos do setor. Atualmente, já apresentam capacidade funcional, aprendem comandos, reagem ao ambiente e auxiliam em tarefas domésticas simples. Empresas como a UBTECH Robotics projetam que, até 2028, os robôs poderão executar atividades mais complexas, começando como companhia para crianças e idosos e, gradualmente, ampliando sua atuação dentro do lar.

China lidera a produção global de robôs humanoides

A China lidera a produção global de robôs humanoides e responde por mais da metade das unidades fabricadas no mundo. Estimativas da Aliança Chinesa para Aplicações de Robôs Humanoides (HRAA) indicam que as remessas chinesas devem chegar a 20 mil unidades até o final de 2025. No mesmo período, o país deve concentrar entre 75% e 85% das entregas globais anuais. Atualmente, mais de 100 modelos domésticos já estão disponíveis para venda e aluguel, com preços que variam de 2.500 yuans (US$344) a 100.000 yuans por dia.

Em uma perspectiva de longo prazo, o Morgan Stanley Research estima que o mercado global de robôs humanoides, incluindo cadeias de suprimentos, manutenção e suporte, pode atingir US$5 trilhões até 2050, com mais de 1 bilhão de unidades em operação. A China deve concentrar o maior número desses robôs em uso, com cerca de 302,3 milhões de unidades até meados do século, segundo projeções da instituição.

Robôs como parte do ecossistema de casas inteligentes

A adoção doméstica se acelerou porque a tecnologia ficou mais acessível e funcional. Embora os preços ainda sejam altos para algumas famílias, eles caíram significativamente nos últimos anos, aproximando os robôs de produtos eletrônicos de consumo. O modelo Little Bumi, da Songyan Power, por exemplo, é vendido a partir de 9.998 yuans. O desempenho, por outro lado, não foi comprometido. Os modelos atuais incorporam inteligência artificial avançada que permite aprendizado e adaptação contínuos.

A principal mudança recente está na arquitetura dos robôs humanoides chineses. Os novos modelos adotam sistemas integrados de tomada de decisão, nos quais o processamento de linguagem, a percepção visual e o controle motor operam de forma coordenada. Essa integração permite que o robô receba instruções verbais simples e as transforme em ações, como pegar um objeto específico ou se deslocar em um espaço.

Plataformas baseadas em aprendizado por reforço e grandes volumes de dados físicos têm melhorado equilíbrio, coordenação e precisão dos movimentos. Esse tipo de abordagem reduz falhas em tarefas repetitivas e aproxima o desempenho dos robôs das exigências de ambientes reais, como salas, cozinhas e corredores.

Um exemplo recente é o robô humanoide desenvolvido pela XPeng, equipado com um chip próprio de inteligência artificial que permite reconhecer o ambiente e reagir de forma fluida. O modelo utiliza bateria de estado sólido, dispensando conexão constante à tomada, e conta com revestimento externo flexível, projetado para simular aparência e textura humanas, característica que chegou a causar espanto pela forma humana realista.

Ao mesmo tempo, a rápida expansão do setor levantou alertas no próprio governo chinês e entre analistas de mercado. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal agência de planejamento econômico do país, advertiu publicamente para o risco de formação de uma bolha de investimento no segmento de robôs humanoides, em parte devido ao rápido aumento de capital e à proliferação de empresas com produtos muito semelhantes.

Atualmente, mais de 150 fabricantes disputam o mercado doméstico, muitos deles startups ou entrantes de outros setores, o que preocupa autoridades chinesas por potencial saturação e por reduzir o espaço dedicado à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias mais avançadas.

Apesar da valorização de índices ligados ao setor, como o Solactive China Humanoid Robotics, que acumula alta superior a 25% em 2025, a adoção em larga escala ainda avança em ritmo inferior ao dos investimentos. A diferença entre capacidade produtiva, demanda real e regulação reforça a preocupação com a sustentabilidade do crescimento e com a necessidade de marcos regulatórios que orientem a consolidação da indústria.

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