Tecnologia

Robô humanoide troca a própria bateria em menos de 3 minutos

Atualização do Atlas elimina a espera de 90 minutos para recarga e permite que o humanoide opere em múltiplos turnos com o mínimo de intervenção humana

Atlas: robô humanoide foi desenvolvido pela Boston Dynamics (Boston Dynamics/Reprodução)

Atlas: robô humanoide foi desenvolvido pela Boston Dynamics (Boston Dynamics/Reprodução)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 14h36.

O robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics, recebeu uma atualização que permite substituir a própria bateria de forma autônoma em menos de três minutos.

O sistema elimina a espera de 90 minutos que o carregamento convencional exigia. Um sensor monitora o nível de energia e identifica o momento em que a carga chega a um estado crítico, acionando a troca sem que o robô precise ser desligado por um humano.

Em condições normais, o Atlas opera por cerca de quatro horas contínuas. Em tarefas mais pesadas, como levantar e transportar materiais, essa autonomia cai para cerca de duas horas — o que torna frequente a necessidade de recarga em ambiente industrial.

Com a troca rápida, a Boston Dynamics projeta que o robô consiga atuar em múltiplos turnos de trabalho, reduzindo o tempo de inatividade e a necessidade de frotas extras para cobrir unidades fora de operação.

O Atlas não é o primeiro humanoide a executar essa tarefa sozinho. Em 2025, a chinesa UBTech já havia apresentado o Walker S2, capaz de trocar a própria bateria em intervalo semelhante e operar 24 horas por dia.

A história dos robôs

Impulsionados pelos avanços da inteligência artificial (IA), os humanoides deixaram de ser protótipos de laboratório para se tornar uma das maiores apostas da indústria global, em um mercado que pode movimentar US$ 5 trilhões até 2050, segundo o Morgan Stanley.

No Brasil, a expectativa é de que o setor de robôs humanoides atinja uma receita de US$ 753,1 milhões até 2030, segundo a consultoria Grand View Horizon, com uma taxa de crescimento anual prevista em 40,4% — liderando a América Latina.

Apesar do potencial, o país está atrasado. Não existe por aqui uma empresa focada na produção e comercialização de robôs humanoides — o que há é uma indústria de integração, formada por companhias que projetam e operam sistemas montados com equipamento importado.

A base sobre a qual esse mercado teria de crescer é estreita. São cerca de 20 mil robôs industriais em operação, concentrados no Sudeste e no Sul, com densidade robótica inferior a 50 unidades por 10 mil trabalhadores.

A comparação com o resto do mundo explica o tamanho do problema. A média global é de 141 robôs por 10 mil trabalhadores, quase o triplo da brasileira.

A Europa Ocidental chegou a 267 unidades em 2024, a América do Norte a 204 e a Ásia a 131, segundo o relatório World Robotics 2025, da Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês). No topo da lista, a Coreia do Sul opera com 1.220 robôs por 10 mil trabalhadores — 24 vezes mais que o Brasil.

O mercado trilionário dos robôs humanoides que escancara o atraso do Brasil

O parque instalado segue a mesma proporção. O mundo tem mais de 4,6 milhões de robôs industriais em operação, e só a China concentra cerca de 2 milhões, 4,5 vezes o volume do Japão, que aparece em segundo. Os 20 mil aparelhos brasileiros equivalem a 1% do estoque chinês.

A distância também cresce em ritmo anual. Foram 542 mil robôs instalados no mundo em 2024, quarto ano consecutivo acima de meio milhão de unidades. A Ásia respondeu por 74% desse total, com a China sozinha instalando 295 mil aparelhos — mais de 14 vezes todo o parque brasileiro acumulado.

As barreiras apontadas por especialistas do setor são conhecidas: custo inicial de implementação, necessidade de requalificação de mão de obra e infraestrutura de conectividade ainda irregular em várias regiões.

Há demanda, porém, nos setores que puxariam a adoção. A indústria automotiva responde por cerca de um quarto das instalações globais de robôs, e é justamente onde o Brasil tem parque industrial relevante — o mesmo vale para alimentos e logística.

 

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