Economia

Brasil está atrasado em automação por causa de juros altos, diz presidente da Abimaq

País ainda tem poucos robôs nas linhas de produção, na comparação com outros locais

Robô em estande da Schneider Electric na feira Hannover Messe (Hannover Messe/Divulgação)

Robô em estande da Schneider Electric na feira Hannover Messe (Hannover Messe/Divulgação)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 25 de abril de 2026 às 12h00.

Hanover - O Brasil ainda tem pouco uso de robôs industriais em comparação com outros países, e uma das razões para isso é a alta taxa de juros, avalia José Velloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq).

"Nós não estamos atrasados porque não temos a tecnologia ou porque é mais caro. É porque o ambiente de negócios no Brasil é desfavorável, começando pela taxa de juros", disse Velloso, durante a feira Hannover Messe, na Alemanha.

"O Brasil perde oportunidades por motivos alheios à vontade do empresário. O Brasil tem baixa taxa de investimento, tem o custo Brasil, problema da insegurança jurídica, o sobe e desce da nossa economia. Às vezes, você tem um bom negócio no Brasil, mas o brasileiro não está investindo no seu negócio por motivos alheios à tecnologia", prosseguiu.

Velloso diz que o aumento da produtividade no país depende muito do total de máquinas e de automação, e que o Brasil está atrás nessa métrica.

"O Brasil hoje tem 10 robôs a cada 10 mil trabalhadores. A média do mundo é 169 robôs a cada 10 mil. 169 a cada 10 mil. Nós temos 10. A Alemanha tem 470. Os Estados Unidos têm 470. A China, 430 robôs a cada 10 mil trabalhadores. E a Coreia, 1.050. Nós temos 10", afirma.

Redução da 6x1

Velloso avalia que a possível redução da jornada de trabalho, que poderá vir com o fim da jornada 6x1, em debate no Congresso, poderá afetar mais a produtividade nacional.

"O Brasil já tem produtividade baixa. Vai piorar o que é ruim. Eu discuto a jornada porque vai aumentar custo, vai diminuir produtividade, e com isso diminui a nossa competitividade e vai precarizar emprego. Os produtos vão ficar mais caros e o funcionário vai ganhar menos", afirma.

O repórter viajou a convite da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha em São Paulo.

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