“No fim, o que importa é a audiência”, diz CEO da Getty Images

Em entrevista exclusiva, CEO Craig Peters debate o futuro da imagem no ambiente digital

São Paulo – Uma célebre – e clichê – frase diz que uma foto vale por mil palavras. Em alguns casos, ela pode fazer valer um negócio imenso e necessário para diferentes indústrias. É o caso da Getty Images.

A agência de imagens aposta em tecnologia para conquistar um mercado cada vez mais digital. Em entrevista exclusiva a EXAME, o CEO Craig Peters, à frente do negócio desde abril deste ano, conta como a companhia está fazendo isso e os planos para o futuro.

Por que o Brasil ainda não é um dos principais mercados da Getty Images?

Não investimos de forma adequada aqui. É uma questão histórica. Na época anterior às fotos digitais era necessário ter grandes gabinetes para o armazenamento das fotografias e não expandimos essa estrutura física em todo o mundo. Em vez disso, dependíamos de agentes terceirizados que trabalhavam em certas regiões do planeta. E isso funcionou bem enquanto havia proximidade física e um número limitado de clientes. Foi uma decisão estrutural.

Essa estratégia mudou ao longo dos anos? Por quê?

Sim. Hoje a empresa tem presença no País. Investir no mercado brasileiro tornou-se quase uma obrigação para nós. É o maior mercado da América Latina e que ainda tem um grande potencial de crescimento.

Os investimentos estão sendo concentrados em quais áreas?

Antes de tudo, em conteúdo. É o que vendemos. Foram alocados recursos em produção e aquisição de conteúdo. Eu não posso revelar números, mas digo que são centenas de milhões de dólares gastos a cada ano. Uma quantia substancial também é investida em pesquisas para identificar tendências do mercado.

Como a Getty Images usa as novas tecnologias para otimizar seus processos?

O uso da inteligência artificial serve para que possamos analisar detalhadamente as imagens que armazenamos. Assim, é possível certificar que não há duplicidade e que o arquivo foi não manipulado ou está infringindo algum direito de propriedade.

Além de inteligência artificial, há investimentos em machine learning?

Temos uma equipe de mais de 50 profissionais que são nossos “especialistas visuais”. Eles visualizam milhares de fotos por mês. Utilizamos esse poder cerebral para treinar nossos dispositivos de inteligência artificial para entender as imagens e otimizar o algoritmo de busca.

Os padrões visuais mudaram nos últimos anos. O que era interessante nos anos 1990, talvez não seja mais tão apreciado agora. Como você enxerga essas mudanças?

No fim, o que importa para nossos clientes é a audiência. Eles querem promover seus produtos e suas marcas. E os consumidores querem enxergar a si próprios nas marcas e não mais uma aspiração ou alguém quem eles poderiam se tornar. Passamos a investir para trazer retratos mais autênticos e que explorasse cada audiência.

A Getty Images, tal como empresas como Uber e Airbnb, aposta na economia colaborativa, criando uma plataforma para as pessoas ganharem dinheiro. Qual a sua visão sobre esse novo mercado de trabalho?

Essa nova economia dá mais liberdade para a força de trabalho ao criar uma oportunidade que antes não necessariamente existia. Ela também garante mais flexibilidade para os trabalhadores. É claro que há questões de sustentabilidade que precisam ser resolvidas com o questionamento se esse modelo está dando retorno suficiente ao trabalhador.

Como as redes sociais mudaram a forma como a imagem é utilizada no ambiente digital?

As redes sociais se tornaram a forma como as pessoas se comunicam, principalmente por smartphones. Antes, as fotos eram tratadas como um complemento das mensagens. Isso mudou. As novas gerações são mais visuais e isso importa para o engajamento das marcas neste ambiente.

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