Tecnologia

Na era dos petabytes

Ninguém sabe ao certo quando a era dos petabytes começou, mas não erra muito quem apontar o dedo para o dia em que as grandes empresas começaram a expulsar o papel das mesas e digitalizar toda a informação possível. Com esse pulo do mundo dos átomos para

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Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 12h34.

As férias vão bem, obrigado, mas será que o saldo bancário agüenta mais uma extravagância? Pode-se fazer a consulta da praia, ligando para o call center do banco, procurar um caixa automático, acessar a conta pela internet num cibercafé ou pelo celular. Os meios são muitos, e às vezes é preciso tentar mais de uma opção e mais de uma vez, gerando uma série de logs que os sistemas do banco vão registrar e guardar. Além disso, uma olhada no saldo pode acabar em saque, depósito, empréstimo ou aplicação, gerando montes de lançamentos de crédito e débito em conta corrente, poupança, fundos, cartão de crédito, descontos de impostos e por aí vai. Na indústria e no comércio, principalmente em empresas mais focadas em e-business, a produção de bytes não é muito menor do que nas instituições financeiras. E tudo precisa ficar guardado e muito bem guardado, por meses ou anos a fio.

Só o Banco Itaú, primeiro colocado no ranking de INFO das 100 empresas mais ligadas do país, ampliou em 44% sua capacidade de armazenamento no ano passado, saltando de 110 para 150 terabytes. Tamanho espaço está dividido em vários "armários", os dois principais compostos de discos rígidos de grande porte, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, com dados espelhados. "Há informações que estão em mais de dois lugares, utilizando mais de duas linhas de transmissão", diz Renato Roberto Cuoco, vice-presidente executivo do Itaú. Para dados de consulta menos freqüente, como extratos de seis meses atrás, a instituição dispõe de 42 sistemas de robôs, operando milhares de cartuchos magnéticos com capacidade de 100 a 200 GB cada e funcionando em salas-cofre à prova de incêndio e ataques talibãs.

A demanda por espaço no Itaú, em 2001, veio principalmente de novos processos de auto-serviço, internet banking e da operação de reconhecimento de voz no call center, que teve mais adeptos do que Cuoco imaginava. Dos 20 milhões de transações que os clientes geram todos os dias, cerca de 150 mil utilizam voz para navegar no sistema, dispensando o teclado do telefone. Em auto-serviço, a equipe de desenvolvimento da instituição suou a camisa para implantar um sofisticado sistema de credit scoring, com módulos de análise de risco da americana Fair Isaac, e oferecer crédito pré-aprovado no caixa automático à metade dos seus 12 milhões de correntistas. Também prosseguiu na disseminação do protocolo TCP/IP, hoje a língua oficial na conversa de 85% das plataformas internas, além de absorver os sistemas do Banestado. A essas tarefas somaram-se as operações via satélite de clientes assinantes da TV paga DirectTV, as consultas de 10 mil usuários de WAP e mais as cobaias da internet rápida sem fio (2,5G), num projeto piloto da Telesp Celular.

Outro participante ilustre do clube dos muitos terabytes é o Bradesco, que cedeu a liderança do ranking de INFO para o Itaú este ano, ficando em segundo lugar por uma pequena diferença. Com uma estrutura tão avantajada quanto à de seu rival, o Bradesco viu sua capacidade de armazenamento de dados em discos magnéticos praticamente dobrar no ano passado, passando de 33 para 64 terabytes, guardados na sede, em Osasco, e na unidade de Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. Tudo por causa do aumento de clientes - hoje são 12 milhões de correntistas realizando 35 milhões de transações por dia, em média -, da oferta de novos produtos online e da ampliação do tempo de disponibilidade dos dados. Informações mais velhas e pouco acessadas são guardadas pelo Bradesco por quatro a seis anos em 200 mil cartuchos magnéticos, com capacidade que varia de 5 a 50 GB. Cerca de 10 mil cartuchos trocam de dados todos os dias e tendem a ser substituídos. "Vamos partir para unidades de 150 GB com tecnologia de compressão de dados melhor", diz Aurélio Conrado Boni, diretor-executivo de tecnologia do Bradesco.

Como mais de 80% das transações do banco são feitas fora das agências de origem, e o acesso a imagens de documentos digitalizados vai se expandir para além das fronteiras do Rio de Janeiro, o Bradesco prevê investimentos de 6 milhões de dólares na duplicação das bases de dados, evitando gargalos na busca. Para fazer a montanha atual de informações circular, a banda de internet do Bradesco se expandiu de 18 Mbps em 2000 para 68 Mbps no ano passado, e a capacidade de processamento cresceu mais de 50%, atingindo 16 mil MIPS. Este ano, essa estrutura vai aumentar em até 40% para suportar o tráfego de dados na internet que os clientes de bancos recém-adquiridos, como o Banco Cidade e o Mercantil de São Paulo, devem gerar.

A Siemens, terceira empresa mais ligada e a primeira do setor industrial no ranking, mantém os dados de suas 13 unidades de negócios em 21 localidades armazenados na sede e replicados na unidade Anhanguera, ambas em São Paulo. Em discos magnéticos são 30 terabytes para sistemas corporativos, mais 15 terabytes para sistemas de escritório e outros 3 terabytes para operações de internet. Todo ano, perto de 2 terabytes são despachados para uma plataforma Archive, da IBM, uma espécie de robô lotado de gavetinhas com discos ópticos regraváveis, diz Eduardo Murad, CIO, que calcula em 5% a 6% ao ano a expansão das necessidades de armazenamento da companhia. Os sistemas da Siemens só não são mais devoradores de espaço porque a empresa decidiu enxugar sua estrutura de TI.

Não há um modelo único de armazenamento de dados adotado por empresas brasileiras. Severa no controle do espaço, a Petrobras, no vigésimo segundo posto do ranking das 100 empresas mais ligadas do país, conecta unidades de negócios em 11 países e traz os dados mais importantes para duas salas-cofre grandes no Rio de Janeiro. Outras três salas menores guardam dados de prospecção e produção de petróleo em outras localidades no país. Nas salas grandes, em que só oito pessoas são autorizadas a entrar depois de passar por um sistema biométrico de reconhecimento de impressão digital, o requinte dos controles vai até a temperatura dos funcionários. As salas grandes têm 70 terabytes de capacidade, a maior parte em discos magnéticos de grande porte e unidades de fita para backup. Segundo Nelson Cardoso, gerente-geral de TI, a Petrobras está implantando uma SAN (Storage Area Network), que conectará todos os servidores a um switch, aumentando a escalabilidade e o grau de segurança dos dados e agregando a possibilidade de fazer backup diário de forma quase instantânea.

Entre os sistemas que prometem consumir mais recursos de TI este ano destaca-se o Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), marcado para entrar em pleno funcionamento em 22 de abril. Projetado para fazer 180 bancos conversarem online em tempo real na compensação dos cheques e DOCs de valores superiores a 5 mil reais, o SBP está dando trabalho às instituições financeiras, exigindo altíssima disponibilidade de processamento, comunicação, esquemas de contingência e armazenamento.

Um dos poucos que dizem ter-se dado bem com o SBP foi o Banco Santos, quarto lugar no ranking de INFO. Sem o mesmo porte e os problemas das instituições de varejo, o Santos pôs para rodar o sistema que desenvolveu em janeiro de 2001 e já está na versão 22, segundo Mauricio Ghetler, CIO. "O software ficou tão bom que a eFinancial, empresa do grupo dedicada a sistemas de pagamentos, vendeu-o para dez bancos", afirma Ghetler.

Suportando sua operação, o Banco Santos dispõe de capacidade de armazenamento de cerca de 5 terabytes bem pulverizados. Há quatro unidades de disco com capacidade para 2 terabytes, cuja prioridade é o acesso externo dos 2 mil clientes corporativos de médio e grande portes, e três unidades de fita magnética para backup, cada uma capaz de guardar 200 GB. "Essa unidade também coloca na linha de produção outras 40 fitas, conectando-se a ela e à unidade de disco por fibra óptica", diz Ghetler. Por enquanto, os dados são replicados assincronamente - primeiro se armazena, depois se copia. Ainda este mês, com a mudança da sede para um prédio mais moderno, o banco deve passar a fazer a replicação síncrona, gravando em locais diferentes ao mesmo tempo, por meio de dois links de 2 Gbps de fibra óptica. Para chegar até os dados, há 40 pontos de acesso com controle biométrico e 90 câmeras de vídeo digital registrando todo e qualquer movimento. Só para as câmeras há um espaço de 1,4 terabyte, equivalente a pouco mais de um mês de vídeo, que pode ser assistido de qualquer lugar que entenda TCP/IP. Segundo Ghetler, a necessidade de espaço do banco cresce de 20% a 30% ao ano e não deve aumentar muito mais do que isso. Ainda este ano, o Banco Santos pretende disponibilizar a assinatura digital a todos os clientes, que poderão gerar, assinar, fazer transitar e armazenar documentos digitais válidos.

Em outra vertente, o BankBoston, oitavo no ranking das 100 empresas mais ligadas do país, focou em 2001 a produção de sistemas mais personalizados e a infra-estrutura de rede para suportá-los. Em março, o Boston inaugurou um novo centro de processamento na zona sul de São Paulo, replicando e distribuindo dados antes concentrados num único local. A capacidade de armazenamento do banco é de 6 terabytes, dos quais 25% destinados a sistemas distribuídos e 75% ao mainframe. Por dia, a rede movimenta 2 terabytes, atualizando dados, diz Marcos Grossi de Almeida, diretor de telecomunicações e networking. Na ponta da tecnologia, o Boston lançou no mês passado o agregador de contas, que busca os saldos das contas que o cliente tenha em outras instituições e consolida tudo numa tela só.

No Banco do Brasil, o segundo maior do país em patrimônio, 331 milhões de transações são realizadas a cada mês, englobando os serviços prestados pela instituição ao governo federal. Só os clientes respondem por 250 milhões de transações mensais, 78% por auto-atendimento. Esse rio de dados, que passa por 3 049 agências e outros 8 565 postos de atendimento em 2 642 municípios, circula agora pelo sistema de banda larga via satélite IP Advantage, da Hughes, interligando cidades em que a conexão por terra é impraticável a uma velocidade de 24 Mbps. Para suportar essa estrutura, o BB dispõe de capacidade para 88,7 terabytes em discos de grande porte adquiridos a partir de 1998. "É tudo novo e de ponta", diz Antonio Gustavo Matos do Vale, vice-presidente de tecnologia, que vê duplicar anualmente a necessidade de armazenamento. Hoje, controladoras de discos, com capacidade de 1,6 a 20 terabytes cada uma, armazenam dados de conta corrente. Para os cartuchos magnéticos vão outros 5,8 terabytes por dia, pinçados por um sistema de 27 robôs, com um giro mínimo de dados de um mês. A capacidade total nesse sistema é de 1 700 terabytes. Nas salas dos robôs - duas em Brasília, duas em São Paulo e duas no Rio de Janeiro -, não entra gente. Tudo é duplicado para que os dados possam ser acessados mesmo que o céu desabe.

Não é à toa que, a cada um ano e meio, dobra a necessidade de armazenamento de dados no país, segundo o instituto de pesquisas IDC Brasil. Nas contas do instituto, chega a 550 milhões de dólares o volume de negócios realizados no mercado nacional de discos rígidos, fitas e mídias ópticas em 2001, num crescimento sobre o ano anterior de 14%.

Ao todo, as 100 empresas mais ligadas do país investiram 2 bilhões de dólares em tecnologia em 2001, um bolo que deve crescer 10% este ano. Os investimentos se dividiram em muitas frentes. De um modo geral, o uso da internet cresceu nas corporações. Das 156 empresas que responderam ao questionário de INFO, 65% realizam transações comerciais pela grande rede. Dessas, 29% compram e vendem, 20% só compram e 16% só vendem. A maioria (33%) disse oferecer acesso à web a até 100% dos funcionários, contra 23% no ano passado, além de utilizar a rede para capturar e agregar conhecimento à mão-de-obra - 62% utilizam a web para buscar empregados, e 45% promovem treinamento online. A intranet é que ainda é subutilizada - a maioria (57%) realiza até 30% da administração por essa rede. Isso melhorou um pouco em relação a 2000, quando 49% declararam utilizar apenas 10% de seus recursos para tocar o administrativo.

Pelo que se pôde observar na pesquisa de INFO, as plataformas tendem a continuar bem variadas. O Windows NT está em 89% das companhias, seguido de seu sucessor, o Windows 2000, com 75%. O Unix mantém uma fatia considerável, de 59%, seguido do ascendente Linux, com 39%. O Netware, da Novell, aparece em 30% das redes corporativas, enquanto o descontinuado OS/2 dá seus últimos suspiros em 7% das empresas. Sistemas operacionais de mainframes e outros menos cotados respondem por 14% das menções. Em hardware, ninguém dispensa um micro portátil. Os notebooks estão presentes em 95% das empresas, seguidos dos palmtops padrão Palm (36%) e padrão Microsoft (19%).

As empresas mostraram-se comedidas na adoção de certas soluções na área administrativa. Os programas de gestão (ERP) ainda são os mais adotados - estão em 67% das empresas, mantendo a mesma posição registrada na pesquisa do ano passado. As redes privadas virtuais vêm em seguida, com 59% das menções. Dividindo o terceiro posto com 38% de respostas afirmativas estão os programas para trabalho em grupo, business intelligence e CRM, este último com um avanço de 16 pontos percentuais sobre o ano anterior. A troca de mensagens instantâneas recebeu 32% das menções, deixando para trás os sistemas de mensagens unificadas (28%), data mining (25%), gerenciamento eletrônico de documentos (20%), supply chain (20%) e knowledge management (18%). Na lanterna ficaram as redes neurais, com 3% das respostas.

Na área de infra-estrutura, a fibra óptica se mostra imbatível: é utilizada em 80% das redes corporativas e em 59% dos meios de conexão à internet. O rádio fica com 56% das redes e 33% da internet, enquanto a conexão via satélite emplaca em 16% das redes e apenas 3% da web. Por incrível que pareça, a conexão por linha discada persiste em 13% das companhias, perdendo das linhas ADSL (16%) e ganhando das ISDN (9%) e do cable modem (6%). Em tecnologias de transmissão de dados na rede corporativa, a veloz Gigabit Ethernet já está em 33% das empresas, contra 28% no ano passado. O grosso da circulação dos dados ainda passa por Ethernet (76%), Fast Ethernet (72%) e Frame Relay (69%). Essas tecnologias são seguidas de longe pelas conexões ATM (22%). As redes sem fio padrão 802.11b apareceram em 14% das empresas. Agora é esperar pelas novidades de 2002.

As 10 mais ligadas

Empresa

Nota
1
Ita

9,78
2
Bradesco

9,60
3
Siemens

8,61
4
Banco Santos

8,59
5
Caixa Econômica Federal

8,51
6
Alcoa

8,50
7
CTBC Telecom

8,19
8
BankBoston

8,12
9
Hewlett-Packard

7,98
10
TAM

7,79

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