Tecnologia

Meta estuda levar reconhecimento facial aos óculos Ray-Ban e Oakley

Projeto interno chamado “Name Tag” pode estrear em 2026 e reacende debate sobre privacidade nos EUA

Óculos da Meta: produtos podem receber tecnologia para reconhecimento facial no futuro (Getty Images)

Óculos da Meta: produtos podem receber tecnologia para reconhecimento facial no futuro (Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 08h09.

A Meta avalia incorporar tecnologia de reconhecimento facial aos óculos inteligentes das linhas Ray-Ban e Oakley. O projeto, de codinome Name Tag, deve ser integrado ao assistente de inteligência artificial da empresa e pode chegar ao mercado já em 2026, segundo reportagem do The New York Times.

Internamente, a iniciativa ainda provoca discussões. Documentos revelados indicam que a empresa avalia o momento político nos Estados Unidos como fator relevante para o lançamento. O recurso teria sido inicialmente concebido como ferramenta de acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão, mas a ampliação do escopo reacendeu preocupações regulatórias.

Segundo as informações divulgadas, executivos discutiram que o produto poderia estrear em um contexto no qual grupos tradicionalmente críticos à empresa estariam concentrados em outras pautas políticas.

Quem poderá ser identificado

A Meta ainda não definiu os limites da funcionalidade. Entre as possibilidades em estudo está o reconhecimento apenas de pessoas que o usuário já conheça — por meio de conexões no Instagram, Facebook ou WhatsApp.

Outra alternativa seria permitir a identificação apenas de perfis públicos nas redes da empresa. A única decisão aparentemente consolidada é que o sistema não funcionará de forma universal, ou seja, não identificará qualquer pessoa na rua.

O desenho final do recurso deve equilibrar utilidade prática com riscos de exposição involuntária de terceiros.

Histórico de controvérsias

A ideia de incorporar reconhecimento facial aos óculos não é nova. Em 2021, a Meta avaliou o recurso, mas desistiu diante de preocupações éticas e limitações técnicas.

Desde então, os óculos inteligentes ganharam popularidade, especialmente entre criadores de conteúdo que gravam interações nas ruas. Ao iniciar uma gravação, o dispositivo acende uma luz indicativa no canto da armação. Ainda assim, críticos apontam que muitas pessoas abordadas não percebem que estão sendo filmadas.

O debate sobre privacidade já levou à adoção de restrições institucionais. Os óculos foram proibidos pela Força Aérea dos Estados Unidos, citando riscos à confidencialidade de operações. Parlamentares democratas também pediram que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) deixasse de usar dispositivos semelhantes em ações de rua.

A Meta carrega ainda um histórico sensível envolvendo reconhecimento facial. Em 2019, a empresa pagou US$ 5 bilhões à Comissão Federal de Comércio (FTC) para encerrar investigações sobre violações de privacidade relacionadas ao uso da tecnologia no Facebook.

Mais recentemente, 40 estados americanos apresentaram ações judiciais contra a companhia, alegando uso de “tecnologias poderosas e sem precedentes” para aumentar o engajamento de menores de idade.

Tecnologia e risco regulatório

A eventual introdução do Name Tag ocorre em um momento de maior escrutínio sobre o uso de inteligência artificial e coleta de dados biométricos. O reconhecimento facial em dispositivos vestíveis amplia o debate ao transferir a tecnologia de ambientes controlados para interações cotidianas nas ruas.

Para a Meta, a aposta reforça sua estratégia de integrar inteligência artificial a dispositivos físicos, aproximando software e hardware. Para reguladores e organizações civis, o movimento pode reabrir um capítulo sensível da relação da empresa com privacidade e uso de dados.

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