Kamala Harris pode ser a vice que as gigantes de tecnologia queriam

Escolhida por Joe Biden é próxima de executivos de grandes empresas de tecnologia, que contribuíram com largas doações a sua candidatura ao Senado.

Com a nomeação de Kamala Harris como candidata a vice-presidente na chapa do democrata Joe Biden as gigantes parecem respirar alividas em São Francisco. A senadora tem um histórico pragmático e boas relações com executivos das empresas de tecnologia — alguns foram doadores expressivos de sua candidatura ao Senado, como Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações no Facebook, Marc Benioff, presidente da Salesforce, e Brian Chesky, co-fundador e presidente do Airbnb.

Mais recentemente, Reid Hoffmann, co-fundador do Linkedin, e o investidor de risco John Doerr participaram do levantamento de fundos para a campanha presidencial dela, uma iniciativa que se encerrou em dezembro de 2019.

A escolha do partido Democrata de um candidato à presidência dos Estados Unidos foi tema importante para as grandes empresas de tecnologia e para o Vale do Silício. O Facebook, por exemplo, entrou na mira da senadora Elizabeth Warren, pré-candidata à Casa Branca, que afirmou em 2019 que a empresa deveria sofrer escrutínios maiores e ser dividida para mitigar o impacto que causava na democracia.

O próprio presidente da rede social, Mark Zuckerberg, afirmou, durante uma conversa vazada com funcionários da empresa, que uma eventual eleição de Warren seria um "desafio legal" para a gigante. "Se alguém ameaça algo tão existencial, você entra no ringue e luta", disse Zuckerberg, em áudios divulgados pelo portal The Verge.

Com a escolha do ex-vice-presidente Joe Biden para a cabeça da chapa, os ânimos se acalmaram. Mas não muito. Embora não seja vocal como Warren era contra as grandes empresas de tecnologia — a campanha dela chegou a incluir o slogan "Break Up Big Tech"(dividam as gigantes de tecnologia, em tradução livre) — , Biden não tomou um lado dessa discussão e não trouxe o assunto da regulação das empresas de tecnologia, o que gerou preocupações e incerteza sobre como ele iria abordar o tema. Até o momento, a escolha de Harris para compor a chapa parece pacificar a questão.

Mark Pincus, fundador e conselheiro da companhia de videogames Zynga, disse ao Wall Street Journal que está confiante que Harris tomará decisões inteligentes sobre a indústria, incluindo analisar e trazer soluções a respeito dos negócios dessas companhias. "Nós precisamos de alguém que vai tomar uma abordagem de advogado, no sentido de olhar para os fatos, os dados e os argumentos, não apenas buscar soluções políticas", disse o executivo, que também foi doador das campanhas de Harris ao Senado americano.

Apesar do apoio de executivos da indústria de tecnologia, Harris está distante de ser uma evangelista dessas gigantes. Ela já teceu críticas à maneira como as redes sociais lidaram com discurso político e desinformação no passado e apoiou projetos legais na Califórnia, estado que a elegeu senadora, para classificar motoristas de empresas como Uber e Lyft como trabalhadores formais, não terceirizados.

Quando pressionada, durante uma entrevista ao New York Times, ainda na época em que era pré-candidata à presidência, Harris afirmou que suas primeiras atitudes na Casa Branca contra as gigantes de tecnologia seriam em linha com a garantia da privacidade dos usuários. "As empresas de tecnologia precisam ser reguladas de maneira a garantir ao consumidor americano que sua privacidade não está ameaçada", afirmou. Ela também já expressou preocupação com algoritmos de reconhecimento facial e a geração de viéses, por exemplo.

Segundo o Recode, página especializada em tecnologia do portal Vox, Cooper Teboe, um angariador de fundos do partido Democrata no Vale do Silício, disse que cerca de um terço dos doadores com quem ele conversou estavam ansiosos pela escolha de Harris para ser a vice de Biden, e muitos teriam preocupações caso Warren tivesse sido escolhida, por exemplo. "Ela [Harris] é a escolha mais segura para a comunidade de doadores", disse Teboe ao Recode.

Joe Biden está na frente das pesquisas — o que não garantiu a vitória a Hillary Clinton em 2016 —, mas talvez a escolha de Harris tenha sido essencial para conquistar o apoio, e as doações, dentro de uma das indústrias mais importantes nos Estados Unidos.

 

 

 

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