Ciência

Humano geneticamente perfeito é porto-riquenho, diz estudo

Segundo biólogo da Universidade de Berkley, heranças espanhola, africana e 'taína' (indígena) garantem chance do país ter o 'humano perfeito'

porto riquenho perfeito (Getty Images)

porto riquenho perfeito (Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 15 de dezembro de 2014 às 08h20.

Se houver um ser humano geneticamente perfeito, ele teria que ser porto-riquenho, graças a mistura de heranças espanhola, africana e 'taína' (indígena), segundo um estudo realizado pelo biólogo Lior Pachter, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

"Não quero dizer que o porto-riquenho atual seja um homem ou uma mulher perfeitos, porque nenhum grupo humano é", explicou à Agência Efe o cientista, cuja afirmação foi recebida com humor pelos habitantes dessa ilha caribenha.

De seu escritório na Califórnia, Pachter disse que iniciou a pesquisa após dividir uma mesa de jantar, por acaso, com James Dewey Watson em março de 2004.

Watson, prêmio Nobel de Medicina em 1962 por seus trabalhos sobre a estrutura da molécula de DNA, passou a noite fazendo comentários racistas e homofóbicos que desagradaram Pachter.

Por outro lado, com suas pesquisas, ele chegou à conclusão de que um povo mestiço e com uma mistura racial tão generalizada, quanto o porto-riquenho, tem maiores possibilidades de acolher o mais próximo do "humano perfeito".

E Pachter vai além. Ele garante que o indivíduo que corresponderia exatamente ao humano perfeito é um com a carga genética do código HG00737 e que essa pessoa já existiu.

Com a conclusão de sua análise de que o ser humano perfeito era, concretamente, uma mulher porto-riquenha, Pachter diz que a imaginou como a taína Yuiza (Luisa), que chegou a ser cacique de sua tribo, algo muito pouco comum para uma mulher.

Em seu blog o pesquisador reproduz o retrato dessa mulher que imaginou e que foi desenhado pelo artista local Samuel Lind.

Esta é a resposta científica de Pachter aos comentários do Nobel de Medicina, que vinculou sua carreira à obsessão por melhorar a imperfeição na genética, conforme lembrou o pesquisador, cuja afirmação suscitou todo tipo de brincadeira entre os próprios porto-riquenhos.

Alguns se perguntavam se o humano perfeito seria o governador da ilha, Alejandro García Padilla, e asseguravam que o estudo conclui "o que já se sabia: que o porto-riquenho é resultado de uma mistura perfeita".

Nesse sentido lembravam que a ilha já ganhou cinco concursos Miss Universo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Venezuela, apesar da óbvia desproporção populacional.

Além disso, Jennifer López, nascida em Nova York, mas de origem porto-riquenho, e Ricky Martin eram apontados hoje como exemplos da perfeição humana.

No entanto, o estudo que o cientista fez por conta dos comentários racistas do Nobel de Medicina tem, certamente, uma base científica e um lado muito mais sério e profundo que essas brincadeiras.

As conclusões, publicadas em seu blog, mostram que o fato de o "homem perfeito" ser porto-riquenho tem muito sentido dada a mistura de genomas que há na ilha entre indígenas, africanos e europeus com origem, principalmente, na Espanha.

Pachter utilizou para sua análise a base de dados SNPedia, que recolhe informação dedicada ao estudo de genes humanos de acordo com doenças e outras variáveis.

Através de análise matemática, ele encontrou o pretenso "humano perfeito" que abrigaria todos os genes saudáveis dos diferentes grupos raciais e que corresponderia, provavelmente, com uma mulher porto-riquenha que existiu no passado.

O cientista lembrou que as diferentes povoações divididas pelo mundo contam com genes predispostos à doença e outros "bons". Logo, que o "humano perfeito" seja porto-riquenho faz sentido pelo fato de que um indivíduo dessa ilha, no qual se deu um processo de miscigenação, tenha reunido os genes "bons" dos diferentes grupos raciais, concluiu o cientista Universidade de Berkeley.

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