Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária: “O Brasil é um país extremamente competitivo no agro” (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de maio de 2026 às 09h20.
A saída de José Batista Júnior da J&F, holding controladora da JBS, marcou o início de uma nova operação da família Batista no agronegócio brasileiro.
Em 2013, o empresário (que é um dos filhos do fundador da JBS) deixou a companhia e decidiu estruturar em Goiás um negócio focado na produção agropecuária. Parte dos ativos rurais ligados ao setor acompanhou a transição e serviu como base para o nascimento da JBJ Agropecuária.
“A JBJ são as iniciais de José Batista Júnior. Na época, José Batista Júnior decidiu voltar o foco para o setor produtivo, especialmente para a pecuária e agricultura em Goiás”, diz Rodrigo Terra, diretor financeiro do grupo.
Hoje, a empresa é comandada pelo Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior e CEO da JBJ Agropecuária. Ao lado do pai, ele lidera a companhia familiar, que expandiu sua atuação para áreas como confinamento, frigorífico, exportação, genética bovina e cavalos da raça Quarto de Milha.
O que começou com cerca de 5 fazendas se transformou em uma operação com 14 propriedades rurais, aproximadamente 150 mil hectares e presença em diferentes etapas da cadeia da carne, da cria ao varejo.
“Tem gente que tem fazenda. Nós temos uma empresa com unidades produtivas”, diz Terra.
Em pouco mais de uma década, a companhia saiu de um faturamento próximo de R$ 100 milhões para cerca de R$ 6 bilhões em receita consolidada em 2025, segundo executivos da empresa. A meta agora é alcançar algo próximo de R$ 10 bilhões até 2027.
Além da pecuária, a JBJ também ampliou presença em negócios de genética animal e cavalos de elite, segmento que ganhou força nos últimos anos com os leilões milionários promovidos pela companhia em Goiás.
“A gente acredita muito no agro e no Brasil. Acreditamos muito na produção da proteína vermelha para os próximos anos,” diz Fabrício.
A base da JBJ Agropecuária continua sendo a pecuária de corte. Hoje, a companhia participa de praticamente todas as etapas da cadeia produtiva, da cria à venda da carne no varejo.
As 14 fazendas do grupo estão espalhadas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Juntas, somam cerca de 150 mil hectares voltados para cria, recria e engorda de gado. Segundo a empresa, a expectativa é terminar 2026 com quase 500 mil cabeças confinadas.
Além das fazendas, o grupo também controla a Prima Foods, braço industrial da companhia. Atualmente, a empresa opera três unidades frigoríficas que juntas abatem entre 2 mil e 2,5 mil cabeças por dia. Em 2025, foram abatidas cerca de 510 mil cabeças. Para 2026, a projeção é chegar a 620 mil.
Boa parte da produção segue para exportação. Cerca de 70% da carne produzida é destinada ao mercado externo, sendo a China o principal destino.
“O Brasil é um país extremamente competitivo no agro”, afirma Fabrício.
Se a pecuária representa a estrutura principal da companhia, os cavalos da raça Quarto de Milha se transformaram em um dos negócios mais rentáveis e midiáticos da JBJ nos últimos anos.
A operação nasceu há cerca de cinco anos, quando Fabrício decidiu transformar a paixão pessoal por cavalos em uma frente de negócios estruturada dentro do grupo.
“Eu resolvi transformar essa paixão em negócio”, afirma Fabrício Batista.
O evento reúne criadores, investidores, artistas sertanejos e patrocinadores do agronegócio. Em uma das vendas recentes, um único cavalo chegou a ser negociado por R$ 44 milhões.
Hoje, o JBJ Ranch promove aquele que é considerado o maior leilão de cavalos da América Latina e um dos maiores do mundo. Neste ano, a empresa bateu um novo recorde: R$ 257 milhões em vendas.
Segundo Terra, o braço de genética e cavalos deve representar cerca de 10% do faturamento do grupo neste ano, com receita próxima de R$ 600 milhões.
Outro braço estratégico da companhia é a genética bovina. A JBJ Genetics trabalha no desenvolvimento de animais voltados para maior produtividade e qualidade da carne.
O foco da operação é acelerar o melhoramento genético do rebanho, reduzindo o tempo de abate e aumentando a eficiência da produção.
“Hoje, no nosso confinamento, abatemos bois entre 24 e 30 meses”, afirma Fabrício.
Além do Nelore P.O., a empresa também investe em cruzamentos genéticos e tecnologias voltadas para ganho de peso, precocidade e qualidade da carne.
A internacionalização também entrou no radar da família Batista. Nos últimos anos, a companhia inaugurou uma operação no Texas, nos Estados Unidos, considerado o berço mundial da raça Quarto de Milha.
O grupo adquiriu um rancho em Pilot Point para aproximar a marca do principal mercado global de genética equina e ampliar conexões internacionais.
“A ideia é vender lá também”, afirma Fabrício.
A estratégia inclui trazer genética norte-americana para o Brasil e, ao mesmo tempo, posicionar a genética brasileira no mercado internacional.
O movimento faz parte da ambição da família de transformar a JBJ Ranch em uma referência global no segmento de cavalos de alta performance.
Apesar da expansão acelerada dos últimos anos, a companhia afirma que ainda vê espaço para crescer organicamente dentro das operações já existentes.
Ao mesmo tempo, novas aquisições seguem no radar. Recentemente, a JBJ fez uma proposta pela Fazenda Conforto, operação localizada no Mato Grosso. O negócio ainda depende de análise do Cade.
“A oportunidade aparece todos os dias para quem quer crescer”, afirma Fabrício.