Programadora em imagem ilustrativa: revisão humana continua essencial para manter projetos de código aberto (Cravetiger/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 11h43.
Fundação que financia parte do desenvolvimento de PHP alerta para falta de recursos. Mais propostas de código e relatórios de segurança ampliam a demanda por profissionais experientes.
A Fundação PHP diz enfrentar falta de recursos para apoiar uma linguagem amplamente usada na web. À Reuters, a diretora Elizabeth Barron afirmou que é a única funcionária da entidade em tempo integral, acompanhada por 14 contratados, majoritariamente em jornadas parciais, e conselheiros voluntários.
O número descreve a estrutura da fundação, não toda a comunidade que mantém a linguagem. A organização financia parte desse trabalho, mas não governa o projeto PHP, desenvolvido de forma comunitária.
Segundo Barron, as propostas de mudanças no código quase dobraram em um ano, sem aumento equivalente no número de contribuidores. A IA ajuda a produzir alterações, mas a revisão continua exigindo experiência humana.
No relatório de transparência de 2025, publicado em maio de 2026, a entidade registrou US$ 730.534 em doações. Depois de taxas, a receita líquida foi de US$ 645.191, enquanto as despesas somaram US$ 784.376.
Esses valores são de 2025. Não representam o orçamento de 2026 nem os gastos de todo o ecossistema PHP. A diferença entre arrecadação e despesas ajuda a dimensionar a necessidade de financiamento recorrente da entidade.
A relevância da linguagem também exige precisão. Em consulta de 25 de outubro, a W3Techs apontava PHP em 69,2% dos sites cuja linguagem de programação no servidor era identificada. A base não equivale a todos os sites existentes, e participação de mercado não significa exposição automática a uma falha.
A EXAME acompanhou os desligamentos preventivos de sites após a descoberta de vulnerabilidades.
Em atualização de 21 de outubro, a Fundação PHP informou ter tratado 15 vulnerabilidades registradas como CVEs desde 1º de julho. No mesmo período, recebeu mais de cem relatos inválidos, duplicados ou que não puderam ser reproduzidos.
Isso exige uma etapa de triagem: cada aviso precisa ser avaliado antes que se transforme em correção. Encontrar um problema não encerra o trabalho. É preciso entender seu impacto e conferir se a mudança preserva o funcionamento do software.
A fundação informou ter criado uma equipe de segurança em maio de 2026 e feito contratações em julho e setembro. No comunicado, pediu apoio recorrente para ampliar a capacidade de resposta.
A discussão acompanha o apelo de empresas de IA por uma resposta coletiva a ameaças cibernéticas. Para projetos abertos, o desafio inclui manter pessoas disponíveis para revisar e sustentar o código usado por terceiros.
Não. O dado da Reuters se refere à funcionária integral da fundação, além de contratados e da comunidade do projeto.
Não. Ela apoia seu desenvolvimento, que permanece comunitário.
O levantamento de uso não mede vulnerabilidade. A exposição depende das versões, configurações e falhas envolvidas.