Donald Trump: presidente relata pedido para renomear o Atlântico, mas Google não confirmou a conversa (Kent NISHIMURA / AFP)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 11h39.
Última atualização em 22 de outubro de 2026 às 11h52.
Donald Trump afirmou que discutiu com Sundar Pichai uma mudança no nome do oceano Atlântico. Segundo o presidente americano, o chefe do Google rejeitou a ideia. A declaração não equivale a uma alteração anunciada pela empresa. O episódio retoma a discussão sobre nomes geográficos depois da adoção de Golfo da América no Maps para usuários dos Estados Unidos.
Donald Trump afirmou na quarta-feira, 21, que telefonou ao CEO do Google, Sundar Pichai, para discutir a mudança do nome do oceano Atlântico. A declaração ocorreu em um comício em Pendleton, na Carolina do Sul.
Segundo o relato do presidente americano, Pichai recusou o pedido porque oceanos envolvem muitos países. Trump indicou que provavelmente deixaria a ideia de lado para o Atlântico, mas cogitou chamar o Pacífico de "Oceano Americano".
Segundo o Washington Post, o Google não respondeu ao pedido de comentário. A declaração não foi acompanhada de anúncio de mudança no Google Maps.
A ideia apareceu antes do comício desta semana. Em um discurso em Dalton, na Geórgia, em 16 de outubro, Trump mencionou o nome "Trump Ocean" como possibilidade para o Atlântico ou o Pacífico, segundo a transcrição disponível no Trump Archive.
Na mesma fala, o presidente contou que havia procurado o Google e recebido uma negativa. Também afirmou que estava brincando. O registro ajuda a distinguir as sugestões feitas em discursos de uma decisão formal sobre nomes geográficos.
O Washington Post não especifica o novo nome proposto para o Atlântico no telefonema relatado nesta semana. A menção a "Oceano Americano" na reportagem se refere ao Pacífico.
O relato de um telefonema não é um anúncio de alteração no mapa.Não foi localizada, nas fontes consultadas para esta reportagem, uma ordem oficial para renomear o Atlântico. Tampouco foi encontrado comunicado do Google confirmando a conversa com Pichai ou anunciando essa atualização.
O precedente é a mudança do nome do Golfo do México no Google Maps. Em 10 de fevereiro de 2025, a empresa informou que começou a adotar Golfo da América após a atualização do sistema americano de nomes geográficos, conhecido pela sigla GNIS.
A implementação não foi igual em todos os lugares: usuários nos Estados Unidos passaram a ver Golfo da América; no México, Golfo do México; e nos demais países, os dois nomes. Essa última regra inclui o Brasil.
No Maps, um mesmo lugar pode aparecer com nomes diferentes conforme o país do usuário.A disputa também teve efeitos dentro da empresa. Em janeiro de 2025, a EXAME noticiou a classificação dos EUA como país sensível pela divisão de mapas, citando informações da CNBC. A categoria abrange mercados com disputas territoriais e outras sensibilidades políticas.
Em maio daquele ano, Claudia Sheinbaum anunciou que o México havia acionado o Google na Justiça pela alteração. Para quem acompanha o episódio no Brasil, a diferença é importante: o precedente do golfo teve uma implementação documentada pela plataforma; a proposta para o Atlântico permanece um relato do presidente.
Ele afirmou ter discutido a ideia com Sundar Pichai. A conversa não foi confirmada de forma independente nas fontes consultadas.
Essa é a versão apresentada por Trump. Não foi localizado comunicado da empresa confirmando a recusa.
Não foi localizada uma ordem oficial nesse sentido. O relato de Trump não equivale a uma mudança implementada.
Em 16 de outubro, mencionou "Trump Ocean" para o Atlântico ou o Pacífico. Naquele discurso, também disse que estava brincando.
O Google anunciou a adoção de Golfo da América para usuários dos Estados Unidos em fevereiro de 2025. Para usuários no México, manteve Golfo do México.
Pela regra anunciada pelo Google, aparecem os dois nomes. Esse padrão vale para os países fora de Estados Unidos e México.