Patrocinado por:
Logotipo da OpenAI em evento de tecnologia: retorno dos investimentos em IA segue em debate (J Studios/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 11h42.
Última atualização em 25 de outubro de 2026 às 11h46.
Análise da Apollo questiona a difusão dos ganhos de IA além das maiores empresas de tecnologia. Indicadores agregados ainda não isolam o efeito dos projetos.
A consultoria focada em IA Apollo vê poucos sinais claros de que os benefícios econômicos da inteligência artificial tenham se espalhado para além das maiores companhias de tecnologia. Em relatório publicado no sábado, 25, o economista Torsten Slok compara a evolução da receita por empregado e das margens das chamadas Sete Magníficas com a das demais empresas do S&P 500.
Os gráficos mostram uma distância entre os grupos. Trata-se de uma interpretação de indicadores corporativos: a comparação não mede diretamente o retorno de cada investimento em IA nem demonstra que a tecnologia explique, sozinha, a diferença.
Há também uma ressalva sobre o universo analisado. O grupo das outras 493 companhias inclui empresas de tecnologia, e não representa toda a atividade econômica fora do setor.
Receita por empregado não é produção por hora trabalhada. A primeira divide faturamento por pessoas; a segunda relaciona produção e horas. Mudanças nesses indicadores podem ter mais de uma explicação, o que exige cuidado ao atribuí-las a uma tecnologia específica.
Dados do Bureau of Labor Statistics mostram crescimento de 1,4% da produtividade do setor empresarial não agrícola dos Estados Unidos no segundo trimestre de 2026, em taxa anualizada. Na comparação com um ano antes, a alta foi de 2,2%. A estatística não identifica quanto veio da IA.
O Federal Reserve de São Francisco também registra aceleração da produção por hora desde 2023, mas mantém em aberto a contribuição da IA. Em análise de setembro, a instituição comparou uma média anualizada de 2,5% entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo de 2026 com 1,5% entre 2005 e 2022.
A dificuldade de separar investimento e resultado já aparece no debate sobre como as empresas medem o retorno da IA.
O índice de IA da Ramp acompanha pagamentos de mais de 85 mil clientes empresariais nos Estados Unidos. Nesse levantamento, adotar uma ferramenta significa pagar por ela no mês; usos gratuitos ou em contas pessoais podem ficar fora da medição.
Na carta de outubro, o economista Ara Kharazian relacionou a desaceleração dos gastos a preços e eficiência. Em um subconjunto de clientes que usam o serviço de gestão de tokens, o volume processado cresceu mais que a despesa entre as semanas encerradas em 13 de setembro e 11 de outubro. A amostra não representa todo o mercado.
Margens estáveis não descartam projetos rentáveis. Para avaliar o retorno, é necessário relacionar custos e resultados do projeto, em vez de concluir que todo uso de IA falhou a partir de uma média corporativa.
Não. A comparação da Apollo não isola o resultado de cada projeto nem estabelece causalidade.
Não necessariamente. Preços menores e maior eficiência podem reduzir a despesa mesmo com mais processamento, como discute a Ramp.
Não. O indicador do BLS acompanha a relação entre produção e horas trabalhadas no setor analisado.