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Da Redação
Publicado em 19 de março de 2015 às 12h34.
São Paulo - Uma nova (uma explosão nuclear na superfície de uma estrela) descoberta no começo de século XX pode estar fornecendo, mais de 100 anos depois, as chaves para que pesquisadores entendam melhor como as estrelas nascem, vivem e morrem.
A GK Persei apareceu como uma das estrelas mais brilhantes no céu em 23 de fevereiro de 1901. Seus resquícios, observados em 1904, são conhecidos como a nébula Firework (fogos de artificio, em inglês).
O evento, visível a olho nu, aconteceu a 1 500 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Perseus. Ele ficou conhecido como uma "nova clássica", quando uma explosão termonuclear acontece na superfície de uma estrela-anã branca acompanhada de outra estrela.
Uma erupção estelar desse tipo é uma versão em miniatura de uma supernova, uma explosão extremamente luminosa que destrói uma estrela. Algumas dessas explosões são tão brilhantes que chegam a ofuscar a galáxia onde o estouro acontece.
Astrônomos produziram diversas imagens da GK Persei usando o observatório de raios-X Chandra, da Nasa, durante 13 anos. As imagens, tiradas em 2000 e 2013, permitirão aos pesquisadores entender o ciclo de vida das estrelas, além de descobrir como elas interagem com o ambiente ao redor.
Uma descoberta divulgada nesta semana exemplifica como o estudo dos resquícios da nova podem fornecer pistas importantes sobre o ambiente da explosão.
A luminosidade raios-X da GK Persei caiu 40% nos últimos 13 anos, enquanto a temperatura manteve-se constante, em 1 000 000 ºC. Quando a onda de choque da explosão se expandiu e aqueceu uma quantidade cada vez maior de matéria, a temperatura do que ficou para trás deveria ter caído.
Isso sugere que a onda está se expandindo para uma região de densidade muito menor do que os astrônomos conhecem, dando pistas sobre a vizinhança da GK Persei.