Cursor e Devin: plataformas de programação com IA disputam as equipes de engenharia com Claude e ChatGPT (NurPhoto /Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14h04.
RESUMO | Empresas de tecnologia adotam Cursor e Devin porque as duas plataformas levam a IA para dentro do fluxo de engenharia, com acesso ao repositório, execução de testes, pull requests e controles de acesso. Claude e ChatGPT seguem como modelos e assistentes generalistas e, em muitos casos, são os motores que rodam dentro do Cursor. A escolha depende do grau de autonomia que a equipe aceita delegar e da maturidade dos processos de revisão.
A preferência de empresas por Cursor e Devin na programação tem menos a ver com qual IA escreve o melhor código e mais com onde esse código vai parar. Um chatbot entrega uma resposta que o desenvolvedor copia, adapta e testa por conta própria. As plataformas especializadas, por sua vez, trabalham direto no repositório, rodam testes e devolvem uma alteração pronta para revisão.
O setor de informação e comunicação lidera a adoção de IA no Brasil, com 49% das empresas usando a tecnologia, segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, divulgada em junho de 2026. Apesar do uso amplo, a maturidade ainda é baixa, visto que só 15% chegaram ao nível avançado, que inclui IA agêntica, de acordo com um estudo de 2026 da Strand Partners para a AWS. É por isso que o uso do Cursor e do Devin é mais conhecido entre empresas que avançaram no uso dos agentes, que já operam de forma mais independente.
A comparação mistura categorias diferentes de produto, o que explica por que empresas combinam as opções em vez de trocar uma pela outra:
Escolher o Cursor não significa abandonar o Claude. O editor usa modelos da Anthropic, da OpenAI e do Google, além de modelos próprios, como o Composer.
O primeiro ponto é que o Cursor coloca a IA no mesmo lugar em que o desenvolvedor já trabalha. Em vez de colar trechos de código em uma conversa, o programador pede ao editor que localize arquivos, altere vários deles de uma vez, escreva testes ou rode comandos no terminal. Cada mudança aparece para aprovação antes de entrar no projeto. O segundo argumento é a troca de modelos: a equipe usa um modelo mais potente para refatorações complexas e outro mais rápido para tarefas simples, sem depender de um único fornecedor.
O Devin foi desenhado para receber trabalho delegado, e não para conversar. A equipe descreve uma tarefa, como atualizar dependências ou corrigir um bug bem delimitado, e o agente planeja, altera o código, roda os testes e abre um pull request. O acompanhamento acontece à distância. Um fluxo típico em empresas com integração contínua funciona assim:
O modelo rende mais em migrações de código, refatorações padronizadas, manutenção de sistemas legados e backlogs com muitos tickets repetitivos. Em tarefas com mudança frequente de escopo ou decisões de produto, a autonomia perde vantagem. A Cognition também vende um editor, o Devin Desktop, antigo Windsurf, para quem prefere acompanhar o trabalho de perto.
A dúvida central passa a ser qual IA se encaixa nos processos da empresa. Os critérios mais comuns são:
Cursor e Devin vendem esses controles como parte do pacote corporativo. O Devin, por exemplo, pode ser implantado na nuvem privada (VPC) da empresa nos planos Enterprise.
Fazem boa parte. O Claude Code, da Anthropic, trabalha no terminal, lê repositórios inteiros, edita arquivos e executa comandos, com aprovação de acessos de rede e planos corporativos com SSO e controles administrativos. O Codex, da OpenAI, executa tarefas em paralelo em contêineres isolados na nuvem e propõe pull requests.
A disputa, portanto, não é entre "IA especializada" e "chatbot". Anthropic e OpenAI também competem na camada de agentes. A diferença está na interface. O Cursor funciona dentro do editor, enquanto o Devin recebe tickets inteiros para executar sozinho.
Os assistentes generalistas seguem mais úteis quando o problema ultrapassa o código. Entre os usos mais comuns: