Salários em tecnologia: cargos de liderança e especialistas em IA concentram as maiores remunerações do setor no Brasil (Magnific/Reprodução)
Colaboradora
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14h04.
RESUMO | As áreas da tecnologia que pagam os maiores salários no Brasil são liderança executiva, gestão de dados, segurança da informação e inteligência artificial. Pelo Guia Salarial 2026 da Robert Half, um CIO pode receber até R$ 53,6 mil por mês, e o engenheiro de IA lidera entre os cargos técnicos, com até R$ 27,1 mil. Relatórios do LinkedIn e do Fórum Econômico Mundial colocam IA e big data entre as carreiras que mais crescem até 2030.
Um diretor de tecnologia no Brasil pode receber mais de R$ 50 mil por mês, mas o topo da tabela não é exclusivo de quem chega à cadeira executiva. Engenheiros de inteligência artificial (IA) e analistas de DevSecOps passam de R$ 26 mil mensais sem ocupar cargos de gestão, segundo o Guia Salarial 2026 da Robert Half, que calcula as faixas a partir de contratações reais feitas pela consultoria no país.
As áreas da tecnologia que pagam os maiores salários se concentram nas frentes de liderança executiva, gestão de dados, segurança da informação e IA aplicada. A demanda por esses perfis supera a oferta de profissionais qualificados, e o déficit pressiona as remunerações para cima. Os valores abaixo são salários mensais brutos, no regime CLT, sem bônus ou benefícios.
A Robert Half divide cada cargo em três percentis, que funcionam como degraus de experiência dentro da mesma função:
As faixas citadas vão do menor ao maior desses percentis. Os números representam a média das cidades cobertas pelo guia.
Os três cargos executivos de tecnologia ocupam o topo do ranking. Na sequência aparecem as gerências de dados e de segurança, ambas acima de R$ 37 mil no teto da faixa:
O CSO quase empata com o CIO. A diferença entre os dois no teto da faixa é de R$ 1,1 mil. O estudo do Inteli atribui a valorização do CSO ao risco financeiro que fraudes, vazamentos de dados e paralisações de sistemas passaram a representar para as empresas.
Fora das cadeiras de liderança, o engenheiro de inteligência artificial é o cargo mais bem pago do guia, com faixa de R$ 19,5 mil a R$ 27,1 mil. O piso já supera o teto de boa parte das funções técnicas do setor.
O segundo posto fica com o analista de DevSecOps, que integra práticas de segurança ao ciclo de desenvolvimento de software. A faixa vai de R$ 15,55 mil a R$ 26,25 mil. O analista de DevOps, sem a especialização em segurança, recebe de R$ 14,25 mil a R$ 23,85 mil.
A diferença de cerca de R$ 2,4 mil entre os dois tetos dá uma medida do valor que o mercado atribui à segurança quando ela se soma a uma função técnica já existente.
O principal fator é a falta de gente. Um estudo do Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) com a consultoria WKS, divulgado em agosto de 2026, calculou que a demanda por profissionais de tecnologia no Brasil somou 665 mil pessoas entre 2019 e 2024. A oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil, um déficit de 30,2%.
O mesmo levantamento cruzou vagas com salário divulgado e requisitos. Anúncios que mencionam conhecimento em IA aparecem com frequência cerca de duas vezes maior nas faixas acima de R$ 10 mil do que nas vagas sem essa exigência.
Do lado das empresas, a disposição de pagar por especialização aparece nos números da Robert Half:
Os maiores salários não coincidem com o maior volume de vagas. Pelo estudo do Inteli, a distribuição das oportunidades abertas é esta:
Para quem está começando, infraestrutura, suporte e automação de processos oferecem, em proporção, mais vagas de nível júnior. IA e segurança concentram oportunidades para profissionais com experiência, o que explica parte da diferença salarial.
Dois relatórios servem de referência para medir a perspectiva das carreiras tech: o Future of Jobs Report, do Fórum Econômico Mundial, e o Empregos em Alta, do LinkedIn.
O Future of Jobs Report 2025, publicado em janeiro de 2025 com base em mais de mil empresas, lista as funções com maior crescimento percentual até 2030. As cinco primeiras são de tecnologia:
No recorte brasileiro, o Empregos em Alta 2026 do LinkedIn, divulgado em janeiro de 2026, coloca o engenheiro de IA em primeiro lugar entre os 25 cargos que mais cresceram no país em três anos. As competências mais citadas nesses perfis são modelos de linguagem (LLMs), LangChain e geração aumentada por recuperação (RAG). O mesmo levantamento mostra que quem assume o cargo chega com 3,6 anos de experiência, em média, e costuma vir de funções como engenharia de software, ciência de dados ou engenharia de dados. A maior parte das vagas está em São Paulo, Florianópolis e Recife, e cerca de 64% delas são remotas.
Profissionais com o mesmo cargo podem ganhar valores bem diferentes. Os fatores que mais pesam nas faixas de 2026 são: