Huawei Watch GT 6 Pro: todos os acessórios de ciclismo no pulso (Reprodução/Huawei)
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Publicado em 7 de abril de 2026 às 09h27.
O ciclismo foi a quinta atividade física mais praticada no Brasil em 2025, segundo o estudo "Por Dentro do Corre", da Olympikus em parceria com a Box 1824, com cerca de 10% de adesão entre os entrevistados. Também esteve entre as modalidades mais registradas no Strava, que apontou uma maior presença de wearables entre os ciclistas — Garmin, Apple e Coros lideram a preferência global, segundo o relatório anual da plataforma.
Usar relógios e sensores durante o exercício já é algo comum em várias modalidades. No ciclismo, porém, os atletas distribuem esse monitoramento em diversos dispositivos, como a cinta peitoral que mede batimentos, medidor de potência no pedivela, computador de bordo no guidão. Marcas como Wahoo, Stages, Garmin e Favero são referência nesses acessórios.
O problema é que pedalar exige atenção integral à estrada, e é difícil dividir o olhar entre três telas e quatro fontes de dados. Foi nessa dificuldade que a Huawei lançou o Watch GT 6 Pro.
O GT 6 Pro é um objeto que não tenta parecer esportivo a qualquer custo. A liga de titânio aeroespacial dá ao relógio uma aparência mais sóbria, que se assemelha a modelos mais tradicionais e que combina tanto com roupa de treino quanto com roupas mais sofisticadas. No Brasil, ele é vendido em três configurações de pulseira: fluoroelastômero preto, tecido compósito marrom e titânio.
O sistema operacional, o HarmonyOS, foi desenvolvido pela própria Huawei como resposta às restrições americanas que tiraram o Google da equação. Já a tela AMOLED de 1,47 polegada, com vidro de safira, atinge brilho de pico de 3.000 nits, suficiente para se manter legível sob sol forte.
A bateria dura até 21 dias em uso moderado e cerca de 12 dias em uso típico, com Always-On Display ativo, segundo a Huawei. Esse desempenho, hoje, é algo quase exclusivo da chinesa e de algumas linhas da Garmin, como a Fenix e a Instinct.
O ponto mais sensível é o pagamento por aproximação: o chip NFC está presente, mas o Huawei Pay demorou a ser ativado no Brasil e pode ter restrição em alguns países. Além disso, quem quiser usar Google Maps ou Spotify diretamente no pulso vai precisar reconsiderar — o GT 6 Pro depende do Petal Maps, alternativa da própria Huawei.
A grande novidade é o medidor de potência virtual para ciclismo. O recurso usa velocidade em tempo real, inclinação, peso do ciclista e da bicicleta para estimar em watts a potência aplicada nos pedais. Até então, dados desse tipo exigiam um power meter dedicado da Wahoo, da Stages, da Favero Assioma ou da SRM, vendidos à parte por valores que podem ultrapassar o do próprio relógio. A ressalva é que os números são estimados, não medidos diretamente, e o recurso só funciona em ciclismo ao ar livre.
Outros sensores já trazem funções mais conhecidas. O sistema TruSense reúne medições de frequência cardíaca, oxigenação no sangue, temperatura da pele e ECG, enquanto o GPS de dupla frequência entrega precisão de rota acima da média da faixa de preço.

Além disso, o app Huawei Saúde organiza os dados de treino, recuperação e sono em painéis claros, numa abordagem conhecido por usuários dos anéis inteligentes da Oura.
O produto, que chegou ao Brasil em outubro de 2025 por R$ 2.499, concentra no pulso a função que normalmente exigiriam sensores espalhados pela bike e pelo corpo. É como um pequeno painel de bordo, que funciona bem para quem sai cedo de casa e quer voltar com dados úteis sobre desempenho em subidas e evolução do treino.
Mas não é só para quem pedala. Pode ser uma solução para quem pratica corrida em trilha, com a leitura de altitude e ritmo ajustado à inclinação, ou para quem só quer um relógio bonito que aguente uma viagem inteira sem buscar tomada, já que a bateria dura mais de duas semanas em uso típico.
É também uma opção mais elegante que um relógio esportivo dedicado, mais autônomo que qualquer smartwatch convencional, e mais barato que as opções de relojoaria conectada de marcas tradicionais. Um ponto sensível, porém, é a conectividade limitada e a ausência de pagamentos digitais, o que pode ser uma questão para os que desejam deixar o celular em casa quando for pedalar.