Ciência

Descoberta causa da conservação dos fósseis pré-históricos

Cientistas descobriram que os restos de animais encontrados em um sítio na Alemanha têm uma substância gordurosa que manteve a preservação

Um dos fósseis encontrados em Messel: bom estado de preservação (Gerbil via Wikimedia Commons)

Um dos fósseis encontrados em Messel: bom estado de preservação (Gerbil via Wikimedia Commons)

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Da Redação

Publicado em 1 de fevereiro de 2012 às 15h38.

Berlim - Cientistas descobriram que a substância gordurosa na qual se transformam tecidos de animais mortos (adipocira) é a causa da boa conversão dos esqueletos animais do sítio paleontológico de Messel, no sul da Alemanha, anunciou nesta quarta-feira Instituto de Pesquisa Senckenberg de Frankfurt.

Segundo os analistas, as bactérias responsáveis pela deterioração dos tecidos animais não eram rápidas suficientes para decompor a camada de gordura dos animais mortos, explicou o instituto.

Desta maneira, os animais pré-históricos de Messel, considerado patrimônio natural mundial, passaram de um estado de saponificação (textura semelhante a um sabão) para fóssil duro sem se decompor e se conservam até hoje em bom estado.

'Os esqueletos de fósseis vertebrados se conservam geralmente como uma coleção de ossos dispersos de forma caótica', afirmou o instituto.

Em Messel, no entanto, a situação é diferente, pois os ossos dos animais pré-históricos do local estão dispostos exatamente como eram.

'Durante décadas, a razão pela qual os esqueletos não se deterioraram representava um enigma sem resposta', declarou Krister Smith, do departamento de Senckenberg para investigação de Messel.

Para resolver o enigma, o cientista analisou junto ao paleontólogo Michael Wuttke um lagarto ('Geiseltaliellus maarius') muito bem conservado.

Após a morte do animal pré-histórico, o cadáver foi depositado no fundo do lago Messel, onde geralmente os microorganismos presentes na água decompõem qualquer corpo orgânico e só os ossos permanecem.

No entanto, 'a água do fundo de lago carecia de oxigênio', o que durante um período prolongado freou a decomposição do tecido brando, indicou Michael Wuttke.

'Nestas condições, as bactérias não são capazes de dissolver em sua totalidade a gordura dos cadáveres', explicou o paleontólogo. 

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