Eletrodos inseridos sobre o cérebro de um paciente epilético (.)
Da Redação
Publicado em 10 de setembro de 2010 às 15h19.
São Paulo - Cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, conseguiram transformar sinais emitidos pelo cérebro em palavras usando duas peças compostas por 16 microeletrodos implantadas sob o crânio de um paciente. O feito abre caminho para a criação de métodos que permitam a portadores de deficiência se comunicar apenas por meio do pensamento.
Como a técnica ainda precisa ser aperfeiçoada e envolve a colocação de eletrodos no cérebro, a equipe de pesquisadores acredita que ainda levará alguns anos para que testes clínicos sejam realizados. O experimento foi publicado na edição de setembro do periódico científico The Journal of Neural Engineering.
Para decodificar as ondas cerebrais, a equipe do bioengenheiro Bradley Greger inseriu os microeletrodos sobre áreas ligadas à fala do cérebro de um voluntário com graves crises epiléticas. Os cientistas registraram os sinais à medida que o paciente lia repetidamente cada uma das dez expressões que podem ser úteis a uma pessoa com paralisia: "sim", "não", "quente", "frio", "fome", "sede", "olá", "adeus" e "mais ou menos".
A partir daí, eles tentaram identificar que tipo de sinais cerebrais representavam cada uma das 10 palavras. Quando foram comparados apenas dois sinais distintos, como os gerados quando o homem falava "sim" e "não", os pesquisadores conseguiram distinguir corretamente cada palavra com índice de acerto de até 90%.
Quando foram sugeridos os 10 padrões de sinais ao mesmo tempo, foi possível fazer a identificação correta em 28% a 48% das vezes. O porcentual é melhor do que a probabilidade apontaria (que seria 10%), mas os pesquisadores admitem que ainda é preciso avançar um pouco mais para se chegar a um dispositivo que traduza os pensamentos de uma pessoa em palavras ditas por um computador.
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