Maconha medicinal (Getty Images)
Da Redação
Publicado em 29 de maio de 2014 às 14h49.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou a decisão sobre a retirada do canabidiol (CBD, substância derivada da maconha) da lista de substâncias proibidas no país para permitir seu uso como medicamento. A decisão estava prevista para acontecer nesta quinta-feira (29), durante uma reunião da diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Durante a discussão, o diretor Jaime Oliveira pediu vistas ao processo para se informar melhor sobre o assunto. Já o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, afirmou que a retirado do CBD da lista de substâncias não teria efeitos, pois os medicamentos que trazem como componente o canabidiol não são compostos totalmente por essa substância. Defendeu, ainda, que a Anvisa pode autorizar o uso em casos específicos.
A área técnica do órgão já havia aprovado a reclassificação do CBD, que constava em uma lista de substâncias proibidas. Mas a reclassificação ainda depende da aprovação da diretoria colegiada. A substância seria, então, retirada da lista de substâncias ilegais para entrar na lista que permite sua prescrição por médicos, ou seja, como medicamento controlado.
O CBD é uma das mais de 400 substâncias encontradas na Cannabis sativa, a maconha. Por isso, sua comercialização no Brasil é proibida. Mas, o canabidiol pode se tornar a primeira substância derivada da maconha a ser liberada no país.
A mudança do canabidiol de uso proscrito para medicação de uso controlado facilitaria a importação para uso compassivo, ou seja, em casos graves onde as medicações habituais não funcionaram e para projetos de pesquisa, afirmou a INFO o Professor Dr. Antônio Waldo Zuardi, professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Barbano, o novo procedimento exigiria prescrição médica, laudo, dados do paciente, relatório, justificativa do uso e termo de responsabilidade assinado pelo médico e pelo paciente. Não é burocracia, é uma forma de preservar a vida das pessoas que podem se beneficiar desse produto, pois não detemos no país todas as informações necessárias para que o Estado se responsabilize pelo uso desses medicamentos, disse Barbano durante a reunião.
Segundo Zuardi, o uso do CBD tem sido sendo estudado para muitas condições médicas, entre elas: epilepsia, ansiedade, esquizofrenia, Parkinson, distúrbios do sono e muitas outras. Mas para livre prescrição como medicamento ainda faltam serem cumpridas várias etapas, tais como, estudos controlados com número elevado de pacientes. A mudança de regulação da Anvisa permitiria o uso compassivo. É importante que esse uso seja acompanhado por um sistema de fármaco-vigilância para avaliação dos efeitos em longo prazo da droga, disse.
Barbano afirmou na reunião que, atualmente, não há nenhum registro de remédio com esse tipo de substância no Brasil. O que eu mais quero é que alguém peça o registro de um medicamento com CBD no país, pois assim teremos acesso a todas as informações necessárias para ampliar essa discussão e ter certeza de seus benefícios e malefícios aos pacientes, afirmou.
A discussão sobre o canabidiol pela Anvisa acontece pouco tempo após a Justiça liberar que Katiele e Norberto Fischer importassem o medicamento com CBD para a filha. A menina Anny sofre com a síndrome CDKL5, uma doença rara e genética que causa epilepsia grave. Os pais tentaram de tudo para tentar amenizar as mais de 80 convulsões por semana da filha. Mas só o CBD ajudou a controlar a doença.
Como o medicamento não tinha venda permitida no Brasil, os pais o importavam ilegalmente para tratar as crises convulsivas da filha de 5 anos. Com base na melhora de Anny e com o aval dos médicos, a Justiça decidiu liberar a importação do medicamento para o caso da família Fisher. Mas, se tudo der certo, outras famílias também poderão ter esse direito.
*Com informações da Agência Brasil
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