12 imagens deslumbrantes revelam vaga-lumes em cavernas
Se você gostava de caçar vaga-lumes quando era pequeno, você vai adorar esta galeria. Todas as imagens foram feitas pelo fotógrafo neozelandês Joseph Michael
Imagens fantásticas (Joseph Michael)
DR
Da Redação
Publicado em 12 de julho de 2015 às 07h56.
Última atualização em 13 de setembro de 2016 às 14h38.
São Paulo – O fotógrafo neozelandês Joseph Michael entrou em diversas grutas da Ilha Norte da Nova Zelândia para capturar imagens de uma espécie de vaga-lume conhecida como Arachnocampa luminosa. Essa espécie é característica do país e pode ser vista somente nas cavernas da Nova Zelândia e da Austrália. Além das fotos, cedidas cordialmente por Michael, EXAME.com bateu um papo com o fotógrafo para que ele falasse sobre a experiência. Michael definiu a cena afirmando que “os vaga-lumes se movem e piscam como fadas”. Veja as fotos e mais curiosidades sobre o Arachnocampa luminosa a seguir.
A Arachnocampa luminosa é uma espécie de mosca da família dos mosquitos que vive em cavernas úmidas e florestas tropicais da Nova Zelândia. Ela foi descrita pela primeira vez em 1871, quando coletada em uma mina de ouro em uma região chamada de Thames. Nascido e criado na Nova Zelândia, o fotógrafo Michael disse que esse tipo de vaga-lume sempre fez parte de sua vida. “Eu sempre pensei que esse tipo de verme era mais uma coisa normal de se ver”, disse o fotógrafo.
A Arachnocampa luminosa tem um ciclo de vida entre 11 e 12 meses, segundo Roy Alexander Harrison, professor do Lincoln University, na Nova Zelândia. O ciclo larval desse vaga-lume dura entre oito e nove meses. Os vaga-lumes morrem, principalmente, devido ao canibalismo. Quando a população aumenta consideravelmente, a ponto de não existir mais lugar para todos os vermes viverem, eles começam a comer uns aos outros. Outra causa de morte é a proliferação do fungo Tolypocladium sp. Experimentos preliminares com o Tolypocladium indicam que as temperaturas elevadas das cavernas, onde habitam os vaga-lumes, podem ser responsáveis pela prevalência do fungo.
A Arachnocampa luminosa utiliza seu brilho para atrair presas e queimar seus resíduos. A cauda do vaga-lume brilha devido à bioluminescência. Ela é produzida a partir de uma reação entre componentes químicos emitidos pelo vaga-lume e o oxigênio do ar. Para controlar a luz, o Arachnocampa luminosa reduz o oxigênio que está em sua cauda. As larvas, as pupas e os vaga-lumes adultos de ambos os sexos são todos luminosos. Na fase larval, a luz atrai presas na forma de outros organismos. Já no estágio da pupa e a adulta, a luz chama a atenção do sexo oposto.
Além de formar um belo espetáculo nas grutas, o brilho desses animais ajuda na captura de suas presas. “Os insetos ficam confusos com as luzes dos vaga-lumes. Eles pensam que estão voando no céu à noite e acabam ficando presos nos fios de seda dos vermes”, conta Joseph Michael. Os vaga-lumes, geralmente, se alimentam de insetos como mosquitos e mariposas.
A larva prepara um ninho com o formato de um túnel de muco e seda. A partir desse ponto, ela suspende uma matriz de linhas, constituída pelos mesmos materiais. As presas se enlaçam nas longas linhas pegajosas e morrem devoradas pelo vaga-lume.
Até 70 linhas são feitas por uma larva. Essas linhas variam em comprimento, dependendo do tamanho do inseto. Elas podem ter desde menos de 1 cm até 50 cm. Cada linha é constituída por um longo fio de seda que tem uma série de gotas, feitas pelas mucosas do animal. O tamanho de cada gota é de 1 mm de diâmetro. Tanto linhas, quanto ninhos, podem ser reconstruídos.
Esse tipo de vaga-lume consegue sobreviver apenas em locais úmidos e escuros. Assim, o lugar precisa ser coberto para que o vento não os seque ou destrua suas linhas. Além disso, o teto precisa ser praticamente todo na horizontal, para que eles possam pendurar as linhas. Por isso, as cavernas são os lugares perfeitos para que as larvas do tipo Arachnocampa luminosa vivam.
Segundo Michael, as imagens foram feitas em várias cavernas na Ilha Norte da Nova Zelândia. “Algumas das grutas tem mais de 30 milhões de anos de idade”, relata o fotógrafo. Um das duas principais ilhas do país, a Ilha Norte abriga 77% da população neozelandesa e a capital Wellington. Ela tem uma extensa flora, uma grande população de aves e vulcões ativos. Além disso, a região possui inúmeros parques nacionais e outras áreas protegidas.
O fotógrafo afirma que o brilho dos animais é completamente natural e que as fotos não são são resultado do uso de Photoshop. No entanto, ele admite que utilizou uma luz azul de LED para iluminar a caverna. “Eu queria mostrar os contornos das grutas. Eu senti que elas eram tão interessantes quanto os vaga-lumes”, disse Michael.
Joseph Michael já trabalhou com fotos de natureza antes. Ele está envolvido há quase um anoem um projeto que mapeia icebergs na Antártida. O objetivo de Michael é projetar imagens desses blocos gigantes de gelo em edifícios famosos. Para dar um tempo do projeto Antártida, ele passou algumas semanas visitando as cavernas onde habitavam os vaga-lumes. “Eu comecei a ver que as imagens que eu tirava dos vermes eram boas e fique viciado”, relatou Michael. “Eu nunca tinha visto um fotógrafo capturar os vaga-lumes do jeito que eu queria vê-los retratados. Por isso, passei alguns meses nas cavernas com a Nikon D810”, disse o fotógrafo.
Além de fotógrafo, Joseph Michael também trabalhou com Peter Jackson no filme “O Hobbit” para criar uma técnica de controle de movimento. Um de seus projetos foi construir plataformas para time-lapses em 3D e experiências em 360 graus no cinema. Seu mais recente trabalho, “dark cloud/white light”, utiliza fotografia de time-lapse e filmes em 3D. Para saber mais sobre o trabalho do fotógrafo, acesse o website de Michael.
Que fotógrafo de paisagens não gostaria de fazer imagens no Brasil? Joseph Michael já fotografou o nosso país. “Tive a sorte de visitar o Brasil brevemente este ano e me apaixonei”, revelou Michael. Mesmo antes de vir ao Brasil, o neozelandês já conhecia o trabalho de um dos maiores fotógrafos nacionais. “Sebastião Salgado é um dos meus fotógrafos favoritos”, disse Michael. Se ele pretende voltar ao Brasil? Sim. “Eu gostaria de voltar e fazer uma série de fotografias. Talvez alguém lendo esta galeria envie um e-mail ao meu site e me ajude a retornar”, brinca o fotógrafo.
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