Coamo, a maior do setor, com 26,8 bilhões de reais (Coamo/Divulgação)
Diretor de redação da Exame
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.
As 23 cooperativas incluídas entre as 1.000 maiores empresas do país fecharam 2025 com vendas em crescimento, mas ganhando menos. Suas receitas aumentaram 11,7%, chegando a 154,4 bilhões de reais. A margem líquida, por sua vez, caiu de 6,4% para 4,6% de 2024 para 2025. A queda de rentabilidade apesar do crescimento dos negócios sugere um ano difícil.
De fato, o ano passado teve aspectos desafiadores para as Cooperativas, especialmente as ligadas ao agronegócio. O ambiente de juros altos e crédito mais escasso pressionou as margens dos produtores, por exemplo.
O aumento das vendas no ano passado pode ser explicado, por sua vez, pela melhora nos preços de comercialização de cadeias produtivas como as de café, aves e suínos. Tome-se o exemplo da Cooxupé, com sede em Guaxupé (MG) e maior cooperativa de café no Brasil: suas receitas saltaram 59% de 2024 para 2025, chegando a 17 bilhões de reais, atrás apenas da Coamo, a maior do setor, com 26,8 bilhões de reais.
Em qualquer outro setor, a queda das margens poderia ser considerada como perda de eficiência. Não é necessariamente assim no cooperativismo. “O papel de uma cooperativa, que existe para atender o cooperado como principal função, é também atuar como uma espécie de colchão de amortecimento para os seus cooperados, amenizando eventuais impactos que o cenário possa trazer”, diz Tania Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil). “Em cenários desafiadores, a cooperativa atua para manter as condições e a liquidez dos seus cooperados — o que, naturalmente, pode explicar parte da redução das margens em 2025.”
No Brasil, há 4.400 cooperativas que juntas reúnem 29 milhões de cooperados, 3 milhões a mais do que em 2024. Os resultados do ano passado foram bons o bastante para manter o sistema cooperativo forte e capaz de gerar benefícios a seus associados.