Ações, inflação, dólar, imóveis... Um guia para os próximos meses

Dez questões relevantes sobre ações, inflação, renda fixa, dólar, imóveis e ouro em 2011, na avaliação de dezenas de executivos de mercado

1 - Algumas ações de empresas de consumo no Brasil subiram mais de 50% em 2010. Elas ficaram caras?

Na média, sim. É possível comparar o valor das empresas brasileiras com o de suas concorrentes internacionais por meio do P/L, um índice que mede a relação entre o preço das ações e o lucro das companhias — quanto maior o índice, mais cara está a bolsa. Segundo cálculos de bancos estrangeiros, o P/L do setor de bens de consumo no Brasil é superior à média dos principais países emergentes. Há companhias que ficaram mais caras que suas concorrentes nos Estados Unidos. É o caso da Hypermarcas, que vale mais que a Procter&Gamble, e da Natura, que vale mais que a Avon.

2 - Há ações baratas na Bovespa?

Sim. Os setores mais baratos, na comparação internacional, são os de bancos, commodities, telecomunicações e serviços públicos. Nem todas as ações desses setores são boas opções de investimento — as empresas precisam ser saudáveis e ter alguma perspectiva de crescimento. Na média, a Bovespa está barata ante as demais bolsas de países emergentes.

3 - É hora de investir mais na bolsa?

Só se o objetivo for deixar o dinheiro aplicado por mais de um ano. A maioria dos analistas espera bastante volatilidade no mercado nos próximos meses, em razão das incertezas em relação à trajetória da inflação no Brasil, à crise no Japão e aos preços do petróleo no mercado internacional. Para quem pode esperar, o conselho dos especialistas é aproveitar as baixas do mercado para investir um pouco mais em ações. “Só é preciso ser seletivo para escolher papéis que têm chance de recuperação”, diz Marcello Siciliano, diretor da corretora do Deutsche Bank.

4 - A bolsa de Nova York está em alta. Vale a pena aplicar em ações americanas?

Sim, desde que o investidor selecione ações que ainda não ficaram caras. O cenário para o ano é positivo para a bolsa. “Ao contrário da maioria dos bancos centrais no mundo, o dos Estados Unidos vem indicando que não elevará os juros tão cedo, o que deve ajudar o mercado”, diz Luciane Ribeiro, diretora executiva da gestora do Santander. Mas, depois da valorização de quase 20% nos últimos seis meses, a maioria dos analistas acredita que a bolsa americana não está mais barata.

5 - O que é melhor para aproveitar a alta dos juros: fundos DI ou CDBs?

Ambos. Os fundos DI são indicados para quem busca uma aplicação com liquidez diária. Aqueles que podem deixar o dinheiro investido por mais de três meses devem partir para os CDBs emitidos pelos bancos de médio porte. Essas instituições passaram a oferecer retornos maiores aos investidores depois do resgate ao PanAmericano, em dezembro, o que aumentou a desconfiança em relação aos bancos menores. Hoje, é possível conseguir taxas superiores a 100% do CDI (os juros de mercado). O CDB do banco Sofisa, por exemplo, paga 109% do CDI a quem investir apenas 5 000 reais por dois anos.


6 - A renda fixa prefixada virou mico?

Depende do prazo do investimento. É uma péssima alternativa para quem precisar do dinheiro nos próximos meses. Esse tipo de aplicação, que determina hoje o retorno que será pago no futuro, tem desvalorização quando os juros sobem, como deve ocorrer até o fim do ano, para conter a inflação. Para o investidor que puder esperar, o conselho dos especialistas é aplicar em títulos públicos com vencimento a partir de 2013, que oferecem retornos superiores a 12,5% ao ano. “Com isso, é possível garantir uma rentabilidade interessante, provavelmente superior à Selic, por mais de um ano”, diz Rogério Bastos, sócio da consultoria financeira FinPlan.

7 - Os fundos imobiliários estão mais atrativos?

Sim. Nunca houve tantas opções de fundos no país: há os que aplicam num único imóvel (como um shopping ou hospital) e os que têm vários empreendimentos em carteira (como prédios comerciais e hotéis). “Quem escolher um bom gestor pode ganhar mais que a bolsa e a renda fixa”, diz Sérgio Belleza, consultor especializado nesse mercado. Foi o que ocorreu em 2010. Um levantamento feito por ele com 25 fundos negociados na Bovespa mostra que 18 deles renderam mais de 20%, isentos de imposto de renda. Mas houve os que perderam para os fundos DI.

8 - Qual será o impacto do desastre no Japão para a economia brasileira?

Por enquanto, os analistas acreditam que o impacto geral será pequeno — espera-se que o PIB mundial deste ano tenha uma retração de, no máximo, 0,1 ponto percentual em razão da tragédia. Mas as produtoras brasileiras de commodities podem sofrer no curto prazo, já que o Japão é um grande importador de produtos como minério de ferro e petróleo. “Essas empresas devem se beneficiar num segundo momento, quando o Japão começar a se reerguer, porque haverá maior demanda por minério, aço e petróleo no país”, diz Alexandre Póvoa, sócio da gestora carioca de recursos Modal Asset.

9 - É o momento de comprar dólares para aproveitar a baixa das cotações?

Só se for para usar esse dinheiro nos próximos meses — numa viagem internacional, por exemplo. A maioria dos analistas espera que o dólar oscile pouco e fique em torno de 1,70 real até o fim do ano, o menor patamar desde 2008. O que mantém a cotação baixa é o contínuo fluxo de investimentos externos para o país.

10 - Ainda dá para ganhar com a alta do ouro?

Na opinião do investidor George Soros e de John Paulson, o gestor que mais ganhou dinheiro com a falência do mercado de hipotecas subprime, sim. Ambos investiram centenas de milhões de dólares no metal recentemente — e, apesar de admitir que a valorização do ouro, que subiu 60% desde 2009, pode ser um indício de bolha, Soros diz que vai levar um tempo para ela estourar. O aumento da inflação no mundo, os conflitos no Oriente Médio e as incertezas em relação ao Japão devem pressionar os preços nos próximos meses, segundo os especialistas.

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