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Saúde no azul

As 14 operadoras do ranking mais que dobraram o lucro em 2025, para 12,8 bilhões de reais — com uma boa ajuda dos juros

Bradesco Saúde: líder de faturamento, com 41,5 bilhões (IA/Magnific/Exame)

Bradesco Saúde: líder de faturamento, com 41,5 bilhões (IA/Magnific/Exame)

Lucas Amorim
Lucas Amorim

Diretor de redação da Exame

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.

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De 2024 para 2025, as Operadoras de Planos de Saúde protagonizaram a segunda maior virada entre os 22 setores das 1.000 maiores empresas do Brasil. O lucro somado das 14 empresas do setor incluídas no ranking saltou 147%, para 12,8 bilhões de reais, enquanto a receita cresceu apenas 10%, chegando a 160,2 bilhões. A melhora veio da eficiência operacional, e não da expansão do balanço.

O resultado está concentrado em Amil, Bradesco Saúde e Intermédica, responsáveis por 74% do lucro do setor no ranking — ainda que entre as três só as duas primeiras tenham de fato crescido. A Amil multiplicou o resultado por quase nove, de 620 milhões para 5,4 bilhões de reais, com margem líquida de 18,2%, a maior entre as grandes operadoras. A Bradesco Saúde, líder de faturamento, com 41,5 bilhões, quase dobrou o lucro, que chegou a 3,3 bilhões. Na outra ponta, a Hapvida, segunda maior receita do setor, trocou lucro por prejuízo de 238 milhões.

Parte relevante do desempenho não veio da assistência. “Em 2025, 62% do resultado líquido das operadoras médico-hospitalares veio do resultado financeiro”, afirma Denizar Vianna, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A operação também ajudou: a sinistralidade, que chegara a 89,1% em 2022, recuou para 81,2%, e os planos médico-hospitalares atingiram 52,5 milhões de beneficiários, recorde histórico. Mas o custo não cedeu: as despesas assistenciais somaram 303,4 bilhões de reais, alta real de 6%.

O ciclo já dá sinais de moderação. No primeiro trimestre de 2026, o lucro do setor caiu 16,3% em termos reais na comparação anual, segundo o IESS, e a sinistralidade voltou a subir, de 79,2% para 81%. Com 140,5 bilhões de reais em aplicações financeiras, o maior estoque da série, os resultados continuam sensíveis à Selic. “Não podemos interpretar todo o crescimento do lucro como resultado exclusivamente da operação dos planos de saúde”, diz Vianna.

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