Revista Exame

Receita inovadora

A EMS lidera o ranking na categoria farmacêutico e beleza pelo terceiro ano consecutivo, enquanto aprofunda aposta nas canetas emagrecedoras — mas não só

EMS: colhendo os frutos de uma aposta feita quase uma década antes em inovação (Leandro Fonseca)

EMS: colhendo os frutos de uma aposta feita quase uma década antes em inovação (Leandro Fonseca)

Pedro Gil
Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.

Priorizar nos meus resultados Google

A EMS começou a colher os frutos de uma aposta feita quase uma década antes em inovação. A farmacêutica encerrou 2025 com receita líquida de 9,3 bilhões de reais e lucro líquido de 546 milhões de reais. Para 2026, espera acelerar: a projeção é fechar o ano com faturamento de cerca de 13 bilhões de reais, crescimento de 23%, e elevar o lucro em cerca de 20%.

Por trás desse avanço está um ciclo de investimentos que ganhou velocidade justamente quando o dinheiro ficou mais caro no Brasil. Com baixa alavancagem, a EMS elevou para quase 12% do faturamento os recursos destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação, segundo a companhia. A área reúne mais de 1.200 profissionais, entre eles 150 PhDs, e está ampliando de cerca de 30 para 50 o número de projetos desenvolvidos por ano. “Nos momentos mais complexos, quando a taxa de juros é mais elevada, estar capitalizado e conseguir investir se torna um diferencial competitivo”, diz -Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.

A face mais visível dessa máquina é a Ozivy, caneta de semaglutida produzida no Brasil e lançada neste ano. No terceiro mês no mercado, o medicamento alcançou 35% das vendas da categoria em unidades, segundo a companhia. A expectativa é faturar 500 milhões de reais nos primeiros seis meses e superar 1 bilhão de reais em 12 meses.

O produto é resultado de uma aposta de cerca de 1,5 bilhão de reais na plataforma de peptídeos, que colocou a EMS na corrida pelos medicamentos contra obesidade e diabetes. Mas o crescimento vai além das canetas: a companhia também avança em medicamentos de prescrição, genéricos e produtos fora do varejo.

A disciplina financeira agora vai bancar o próximo salto. Em março, a EMS acertou a compra da Medley, da Sanofi, por cerca de 3,2 bilhões de reais. A transação ainda depende do aval do Cade, mas a expectativa é assumir a operação até o fim deste ano. E a régua continua subindo. Para 2027, a EMS trabalha com crescimento orgânico de 20%, antes mesmo de incorporar a Medley. A estratégia continua a mesma: inovação no laboratório e disciplina no caixa.



 

Acompanhe tudo sobre:MM2026

Mais de Revista Exame

Sempre em transição

O que uma geração tem a ensinar à outra

Investimento e adaptação

Uma década de expansão: como a Rede D'Or montou um negócio bilionário com medicina de ponta