Chantal Goldfinger: óculos como identidade desde criança (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter de Casual
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Chantal Goldfinger, cofundadora da marca de chocolates GoldKo, carrega há mais de 15 anos um hobby que virou uma assinatura pessoal: colecionar óculos. Mais do que uma necessidade, para ela, a armação sempre foi um acessório capaz de transformar não só o rosto, mas também a maneira como ela se apresenta ao mundo.
A relação com o acessório começou na adolescência, quando uma menina antes expansiva e comunicativa se tornou extremamente tímida. Na escola, sofria bullying por usar aparelho e colete ortopédico. Dentre as inseguranças típicas da idade, Goldfinger encontrou nos óculos uma espécie de proteção.
Depois de meses fingindo enxaquecas para escapar da escola, um oftalmologista receitou uma armação. Ela saiu da consulta com a sensação de troféu e escolheu seu primeiro par, um modelo grande azul da Gucci.
O impacto na autoestima foi imediato. Com os óculos, Goldfinger voltou a fazer perguntas em sala, conversar e se expressar. Mas o acessório também virou motivo de conflito, já que os pais insistiam que óculos “estragavam a roupa” ou deixavam uma mulher menos atraente. Mesmo assim, ela se recusava a sair sem eles. “Sem os óculos, eu me sentia completamente desprotegida, vulnerável”, diz.
A coleção cresceu aos poucos, sempre com novos modelos sendo acrescentados em datas comemorativas. No início, eram modelos pequenos, coloridos, fluorescentes, típicos dos anos 2000. Já adulta, trabalhando como produtora de novela na Globo, Goldfinger trocava de armação como quem troca de meia — até descobrir que seu hábito chamava atenção.
Um grupo de técnicos chegou a fazer um bolão para adivinhar a cor dos óculos do dia seguinte. Aquilo despertou nela a percepção de que óculos comunicavam estilo, mesmo para quem não era ligado em moda.
Em busca de peças diferentes, ela percebeu como o mercado era limitado e os óculos ainda eram vistos apenas como uma necessidade, e não um acessório. Foi então que ela criou um perfil no Instagram, inicialmente por brincadeira, para falar sobre armações.
O hobby ganhou dimensão internacional quando, em 2015, Goldfinger viajou a Paris para visitar a feira Silmo, um evento fechado de negócios do setor ótico. Lá, a executiva se apresentou ingenuamente como “a Chantal do Brasil” e, aos poucos, conquistou designers e fabricantes com curiosidade genuína em conhecer mais sobre materiais, processos e inspiração. “Poucas pessoas enxergam os óculos do jeito que eu enxergo. São acessórios para contar histórias.”
Depois vieram outras viagens, como a feira de Milão, onde passou a montar agendas para conhecer marcas, fábricas e criar relações duradouras. Atualmente, ela mantém em torno de 3.000 pares em sua coleção.
Goldfinger também mergulhou no processo criativo, assinando colaborações e coleções cápsula com marcas francesas, alemãs e brasileiras. Chegou a passar dias em fábricas desenhando armações e participando da produção. Para ela, óculos são moda, identidade e repertório. Sua casa reflete o amor pelos óculos, com diferentes referências de olhos e modelos espalhados pelos ambientes.
Chantal se dedica à marca de chocolates GoldKo, fundada em 2020 ao lado do pai, Paulo Goldfinger, e do irmão, Gregory Kopenhagen Goldfinger. Sim, a família era dona da marca Kopenhagen, vendida em 1996.
O diferencial da GoldKo são chocolates sem açúcar, mas com foco em públicos diversos, que vão além do nicho fitness. A marca oferece opções de doces para quem tem restrições alimentares, como diabéticos, veganos e celíacos, e para quem busca uma alimentação saudável sem abrir mão do prazer.
Atualmente, a GoldKo possui 30 lojas em operação, sendo três franquias, e está em processo de implantação de novas unidades, com a meta de chegar a 60 lojas até o fim deste ano.
Junto com as viagens a trabalho cresce a coleção de óculos. Alguns dos modelos mais especiais ficam perto dela, outros estão guardados na casa dos pais. E quanto Goldfinger já gastou com óculos? Ela jura que não sabe. “Muitos vieram como presentes, protótipos ou achados raros enviados por óticos e designers”, diz.