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“O poder dos chineses não é tão grande assim”

Em seu novo livro, uma das maiores autoridades mundiais em China argumenta que o país está longe de fazer sombra aos Estados Unidos

São Paulo - O americano David Shambaugh, professor de relações internacionais na Universidade George Washington, é um dos maiores especialistas em China no Ocidente. Dedica-se ao estudo do país desde os anos 70, antes, portanto, de os produtos chineses invadirem o mundo.

Em seu último livro, China Goes Global — The Partial Power (“A China se globaliza: o poder parcial”, numa tradução livre), Shambaugh, que vem ao Brasil em maio para palestras no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo, sustenta que a China tem um longo caminho antes de se tornar uma grande potência global.

1) EXAME - O senhor diz que a China não está prestes a se tornar uma superpotência. Quais são as evidências? 

David Shambaugh - Há exagero sobre os efeitos da ascensão chinesa. Sua diplomacia não é influente. Seu poder de influenciar outros países com produções culturais — o chamado soft power — é irrisório. Seu poder militar está restrito à região asiática. 

2) EXAME - Mas a China é a principal parceira comercial de mais de 120 países. A economia não é uma dimensão importante de poder?

David Shambaugh - Na economia, vemos a China exercendo poder global, mas ela exporta produtos de baixo valor agregado e não está no topo do ranking de inovações. Não há uma única marca chinesa na lista global das 100 mais importantes. Hoje, nenhuma dimensão de poder isolada resolve os problemas. A economia é uma dimensão importante, mas sozinha não dá poder global à China. Seu poder não é tão grande assim.

3) EXAME - Muitos preveem que a China repetirá o modelo coreano de inovação. O senhor concorda?

David Shambaugh - É verdade que os investimentos em pesquisa estão aumentando. Também faz sentido pensar que, em breve, veremos marcas chinesas globais. Mas investimento em pesquisa não necessariamente resulta em marcas melhores. A marca é resultado de marketing inteligente e de relações públicas e, nesses pontos, as companhias chinesas ainda são tímidas. 

4) EXAME - O poder militar e da diplomacia não vai aumentar à medida que a economia continue crescendo?

David Shambaugh - Investimento em armas pode construir um grande poder militar — e a China tem o segundo maior orçamento militar do mundo. O governo chinês também investe bilhões de dólares em soft power para melhorar sua imagem internacional. Mas soft power não é comprado. É conquistado. 

5) EXAME - A China tem sido bem-sucedida no fortalecimento de seu mercado doméstico?

David Shambaugh - Os gastos dos consumidores estão aumentando, mas, até agora, não há evidências de que o crescimento esteja menos dependente das exportações. Fora fortalecer o mercado interno, há outros desafios. É muito difícil fazer a transição para uma economia do conhecimento. E, se isso não acontecer, o país vai ficar preso na armadilha da renda média. 

6) EXAME - Quais são as chances de a nova liderança chinesa conseguir levar adiante essa transformação?

David Shambaugh - Fazer reformas significa diminuir o poder e os privilégios do partido — e não há sinais de que os membros do PC estejam dispostos a entrar de cabeça nesse processo. 

7) EXAME - Quais são as reformas mais urgentes?

David Shambaugh - Estímulo à inovação, quebra dos monopólios, liberdade de imprensa e a solução para pressões sociais crescentes em saúde, ambiente e aposentadoria.

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