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Elie Horn, o homem de Soros no Brasil

Quem é Elie Horn, dono da Cyrela, e como ele firmou a parceria que todo empresário deseja ter
 (EXAME.com)
(EXAME.com)
Por Laura SomoggiPublicado em 10/03/2011 15:01 | Última atualização em 10/03/2011 15:01Tempo de Leitura: 10 min de leitura
Você já ouviu falar em Elie Horn? Mesmo que você acompanhe o noticiário de economia e as colunas sociais dos jornais, é grande a probabilidade de que a resposta seja não. Mas não é porque ele seja desimportante. O empresário Elie Horn é o homem do superinvestidor George Soros no mercado imobiliário brasileiro.</p>

Dono da Cyrela, uma das mais tradicionais construtoras e incorporadoras de São Paulo, Horn firmou com Soros, no final de 1993, uma associação. Soros administra cerca de 10 bilhões de dólares em recursos próprios e de investidores internacionais. Qualquer movimento que faça costuma atrair a atenção da mídia. Mas a superexposição de Soros contrasta com o estilo discreto de Horn.

Ele nunca dá entrevistas. Fotos, nem pensar (não deixou o fotógrafo de EXAME sequer entrar em sua sala de trabalho.) Quebrou o seu silêncio para atender EXAME, algo que, segundo afirma, não se repetirá.

Quem é, afinal, esse homem arredio que se tornou parceiro de George Soros no Brasil? Por que, entre tantos outros, Horn foi o escolhido por Soros para ser seu sócio aqui? Horn é considerado por seus colegas um leão nos negócios. Com mais de 30 anos de experiência no setor, Elie Horn, segundo seus pares, conseguiu se destacar pelo seu espírito inovador num mercado altamente competitivo como o de imóveis. Ele notou, por exemplo, a tendência de os fabricantes de roupas abrirem pontos para venda direta ao consumidor. Lançou um dos primeiros outlets do país, o Shopping D, na Zona Norte de São Paulo.

Ele é um aplicado copiador. Quando viaja, mesmo em férias, aproveita para observar as últimas tendências internacionais. Durante suas últimas férias, na Flórida, visitou dezenas de shopping centers. "O Elie está sempre indo atrás de coisas novas", diz Cid Keller, diretor da Carioca Empreendimentos Imobiliários. Keller fez diversos negócios com Horn quando trabalhava na Gomes de Almeida, Fernandes, a Gafisa, outro nome tradicional do mercado imobiliário do país.

RITMO FRENÉTICO - A empresa de Horn, a Cyrela, já construiu mais de 1,5 milhão de metros quadrados. É o equivalente a 15 000 apartamentos de 100 metros quadrados. Sua marca registrada são os imóveis residenciais de alto padrão, principalmente em bairros de classe média alta da cidade de São Paulo. A Cyrela também constrói imóveis destinados a investidores, como flats e pequenos conjuntos comerciais.


A partir de 1993, depois da crise gerada pelo Plano Collor, a Cyrela começou a diversificar suas atividades. Apostou principalmente em shopping centers. Em 1994, lançou um centro de negócios exclusivo para o setor têxtil - o Centro Têxtil Internacional, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Recentemente, lançou seu terceiro shopping, o ABC Plaza, em Santo André, na Grande São Paulo.

Nascido na cidade de Alepo, na Síria, numa família de origem judaica, Elie Horn veio para o Brasil com apenas 11 anos, na década de 50. Começou a trabalhar no mercado imobiliário aos 17 anos. Ajudava um de seus irmãos mais velhos, Joe, na compra de terrenos para incorporação. Não parou mais.

Foi se tornando conhecido e forte dentro da empresa do irmão. Depois de alguns anos quis a sociedade no negócio. Joe não concordou e Horn acabou se afastando. Depois de quatro meses, foi procurado pelo irmão. De subordinado que era, virou sócio da Cyrel - o nome da empresa na época. Continuou trabalhando com o irmão por mais 20 anos. Depois, houve um novo descompasso. O ritmo de Horn já não era mais acompanhado pelo do irmão. Em 1978, ele resolveu seguir seu próprio caminho, desta vez em definitivo. Foi quando surgiu o nome Cyrela.

Advogado formado pela Universidade Mackenzie, de São Paulo, Horn, 52 anos, é casado e tem três filhos. Durante a semana, trabalha de 15 a 17 horas por dia. Muitas vezes, repete a dose aos domingos. "É uma maquininha capaz de acordar às 4 horas da manhã para trabalhar", diz um construtor que o conhece há muitos anos. Dentro das empresas que comanda, Horn é visto como um chefe centralizador. Gosta de dar a palavra final em tudo. Até os projetos de deco

ração dos edifícios que constrói têm que passar por ele. Horn exige que toda a equipe acompanhe o seu frenético ritmo de trabalho. "Costumo dizer que a gente entra aqui como uma uva Itália e sai como uma uva passa", diz um de seus funcionários na Cyrela.

FILANTROPIA - Na hora de fechar os negócios, Horn é tido como durão. "Não é fácil negociar com ele. O Elie defende seu ponto de vista de uma maneira rigorosa e persistente, sempre fazendo o mínimo de concessões", diz o diretor de uma empresa da área imobiliária que já fez trabalhos com Horn.


"Ele procura sempre as alternativas que lhe permitam estar à frente dos negócios", afirma outro colega. O carisma de Horn e a participação nos resultados da empresa que ele oferece aos executivos de sua equipe acabam por conquistar a sua dedicação. "Alguns até reclamam, mas acabam vestindo a camisa e se motivam com os bons resultados", diz um diretor de uma das empresas. "A baixa rotatividade de funcionários é a prova de que eles gostam de jogar em time que está ganhando. Mesmo que o jogo seja duro."

Tanta exigência tem hora certa para acabar. Rigorosamente, entre as 17 horas das sextas-feiras e o final da tarde de sábado, todo mundo pára. Até as máquinas das obras. Horn faz questão de respeitar o Shabbat, o dia do descanso semanal para os judeus. Ele aproveita o sábado para pôr a leitura em ordem.

Pode passar sete ou oito horas lendo livros de filosofia, muitos deles em inglês. No momento, está lendo Warm and Light (Calor e Luz), de Joseph Soloveitchik, já falecido, que foi professor de teologia em Harvard. A espiritualidade também é um ponto forte de sua personalidade. É comum ele citar passagens da Bíblia no meio de uma reunião importante de negócios.

Esses traços de seu caráter aparecem de outras formas. Assim como seu sócio George Soros, muito do dinheiro que Horn ganha se destina à filantropia. Não divulga quanto doa nem a quem, mas tem preferência por entidades que cuidam de crianças carentes. Apesar de toda a sua preocupação em ganhar dinheiro, ele não gosta de ostentar.

Seu Omega foi comprado pela secretária. Deverá ficar quatro ou cinco anos na garagem, como todos os seus outros carros ficaram. Viaja pouco a lazer. Segundo pessoas que o conhecem há muito tempo, Horn e sua família só viajam em classe econômica. Ser comedido na hora de gastar dinheiro talvez o ajude também nos negócios.

Elie Horn é muito cauteloso quando avalia as propostas que lhe são apresentadas. "Ele não tem medo de pensar grande, procura sempre as melhores oportunidades. Mas é conservador na avaliação dos riscos", diz Daniel Citron, responsável pela gestão financeira dos negócios de Horn. "A figura de Elie é fundamental para a Cyrela ser o que ", diz Odair Garcia Senra, superintendente da Gafisa.

CAPTAÇÃO EXTERNA - No ano passado, a Cyrela lançou 1 015 unidades, das quais vendeu 90%. Seu faturamento, de 100 milhões de dólares, a coloca entre as 25 maiores do setor no país. O volume de vendas no ano passado foi 12% superior ao de 1995. A estimativa feita pela empresa para 1997 é de um aumento de 50%.


Para atingir seus objetivos, a Cyrela tem que continuar conquistando novos nichos de mercado. Seu último lançamento é mais um passo nessa direção. O The First Office Flat é um flat de pequenos escritórios destinados a atender às empresas que precisam se instalar temporariamente em São Paulo.

A parceria de George Soros com Elie Horn nasceu por meio de uma empresa argentina, a Inversiones y Representaciones S.A., Irsa. A Irsa é um dos maiores grupos de investimentos imobiliários argentinos e Soros é seu principal acionista individual, com 27% das ações. O presidente da Irsa, Eduardo Elsztain, e seus executivos pesquisaram o mercado imobiliário brasileiro por mais de um ano até chegar ao nome de Elie Horn.

Segundo Elsztain, contaram pontos a favor de Horn sua tradição no mercado e a sua disposição em manter-se atualizado em relação às novas tendências internacionais. Também pesou o seu envolvimento crescente em empreendimentos comerciais, como a construção de shopping centers.

E por que o Brasil? Uma das principais razões que atraíram Soros a investir no país foi a expectativa otimista em relação ao mercado de imóveis. "A área de investimentos em imóveis é muito fértil, principalmente numa economia estável", diz Armínio Fraga, executivo brasileiro que representa os interesses de Soros para investimentos na América Latina, em Nova York. "Os preços dos imóveis brasileiros estão baixos. Há um enorme potencial de valorização", diz Elsztain.

Da união da Cyrela com a Irsa surgiu a Brazil Realty. Trata-se da única empresa do mercado imobiliário brasileiro com ações negociadas no Brasil e no exterior. "Era preciso dar um caráter global ao negócio, unir o mercado imobiliário brasileiro ao mercado financeiro internacional", diz Elie Horn.


A Brazil Realty pretende aproveitar a expertise de Horn e investir em prédios de escritórios de primeira linha para locação, incorporação de imóveis residenciais, flats e pequenos escritórios e shopping centers. Para o futuro, Horn não descarta investimentos em parques temáticos, galpões industriais e até na área de privatizações.

Uma das suas estratégias é manter um capital líquido que corresponda a 25% de seu portfólio. "Com essa liquidez, a Brazil Realty pode aproveitar as melhores oportunidades do mercado imobiliário no momento em que elas surgem", afirma Horn. Essa capitalização despertou o interesse de empresários do setor. Eles apresentaram a Elie Horn 400 projetos apenas em 1996.

A participação de Soros na Brazil Realty permitiu que a empresa captasse no mercado mais do que o esperado: 82,5 milhões de dólares. Do total emitido, 75% foram colocados no mercado externo. Quando foram emitidas, em outubro de 1996, as ações valiam 2 reais. Atualmente, valem 2,3 reais. Segundo análise do banco de investimento americano Bear Stearns, os papéis deverão valorizar-se entre 20% e 50% em 1997. "Seria impossível a empresa se capitalizar nesse montante e com a rapidez necessária só com o aumento de suas atividades", diz Eduardo Coelho de Almeida, diretor comercial da Cyrela.

As decisões como a abertura de capital têm que ter o aval de Soros. Questões como a escolha dos melhores projetos ficam com o conselho de administração formado pelos principais executivos da Brazil Realty e da Irsa. Elsztain é quem costuma manter contato com Soros. Horn encontrou com Soros uma única vez, no ano passado, na Argentina. Segundo diz, só falaram de filantropia. "Quando a gente precisa de alguma coisa, é o Eduardo que vai até o Soros", afirma.

Elsztain cresceu vendo sua família aplicar em imóveis. Seu avô foi um dos grandes investidores argentinos nessa área. O caminho até George, modo como Elsztain se refere ao sócio, já era conhecido. Ele havia trabalhado como administrador dos fundos de Soros na Argentina.

O grande investidor acreditou na idéia e entrou como sócio com 50% do negócio. Em cinco anos, o patrimônio da Irsa cresceu de 100 000 dólares para mais de 300 milhões de dólares. O casamento entre mercado imobiliário e mercado financeiro deu certo. Tanto que a proposta de expandir o negócio para outros países da América Latina foi muito bem-vinda. Além do Brasil e da parceria com Elie Horn, a Venezuela e o Chile fazem parte do seu portfólio latino-americano.