Revista Exame

O bloco dos 200.000 pontos

Num ano que começou agitado na política e na geopolítica, a bolsa bate recorde atrás de recorde. Até onde vai a euforia nos mercados?

Desfile em homenagem a Lula: a eleição entrou cedo na avenida em 2026 (Buda Mendes/Getty Images)

Desfile em homenagem a Lula: a eleição entrou cedo na avenida em 2026 (Buda Mendes/Getty Images)

Lucas Amorim
Lucas Amorim

Diretor de redação da Exame

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.

Antes mesmo do fim de fevereiro, os Estados Unidos já capturaram o ditador da Venezuela e ameaçam outra ação na Groenlândia e no Irã, o Brasil faturou dois Globos de Ouro e levou um ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno. Se o mundo está agitado e imprevisível, o mercado financeiro não está diferente. O Ibovespa bateu 11 recordes históricos de pontuação nas primeiras semanas do ano. Isso depois de ter alcançado novas marcas históricas 32 vezes no ano passado.

A EXAME acompanha há seis décadas a evolução do mercado de capitais no Brasil. Em 2007, por exemplo, trouxe em sua capa o marco histórico de 50.000 pontos. Agora, destaca a proximidade dos 200.000 pontos, após um avanço de 18% nas primeiras semanas do ano, turbinado pela entrada de 26 bilhões de dólares em recursos internacionais apenas em janeiro. Para superar a máxima histórica corrigida pela inflação, o Ibovespa precisaria bater 195.844 pontos, superando o recorde de 2008 (quando o índice nominal chegou a 73.516). Há quem projete o Ibovespa a 235.000 pontos até o final de 2026, como mostra a reportagem de capa desta edição, liderada pelo editor Mitchel Diniz. É um “rali tremendo”, como definiu André Esteves, chairman do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Nesse contexto, duas questões se impõem. A primeira é se o rali vai continuar. Sobram dúvidas à frente, a começar pela velocidade da queda de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Em maio, Kevin Warsh assume o Federal Reserve, o banco central americano, para lá de pressionado pelo presidente Donald Trump a acelerar o alívio monetário. Os ventos da política são outra grande fonte de incerteza. Globalmente, o vaivém de Trump seguirá afetando os mercados. Localmente, a eleição presidencial será tema cada vez mais relevante. Ela se impôs até no Carnaval, quando um enredo sobre o presidente Lula deixou trios elétricos, mestres-salas e rainhas de bateria em segundo plano.

Para os investidores, convém ficar atentos ao noticiário, mas também aos sinais que mostram movimentos futuros. É o que fazem os gestores campeões da nova edição do Melhores do Mercado EXAME 2026. Leonardo Linhares, da SPX, revela que consultas de investidores internacionais sobre o Brasil ajudaram a gestora a aproveitar o avanço dos últimos meses. “A gente estava preocupado com muitas questões internas, mas o estrangeiro estava olhando para cá com interesse em fazer mandatos de longo prazo”, diz. O mesmo olhar para o futuro faz Linhares alertar para o que vem à frente. “O governo que for eleito vai ter que dar algum endereçamento à sustentabilidade da dívida e da discussão fiscal.”

Passada a euforia do começo de 2026, um olhar de longo prazo segue essencial, tanto na política quanto nos investimentos. Boa leitura!




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