Georges Kern: novos territórios para a Breitling e aquisição de marcas que estavam adormecidas (Remy Steiner/Divulgação)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.
A frase apareceu estampada na apresentação que o CEO Georges Kern fez no fim de fevereiro em São Paulo, para convidados, influenciadores e jornalistas: “A Bretiling quer ser a marca mais cool e relaxada da indústria relojoeira”. Muita coisa mudou na manufatura suíça desde a aquisição pela CVC Capital Partners, em 2017, por cerca de 870 milhões de dólares e, em 2022, com a transferência do controle majoritário da empresa para a Partners Group como parte de uma venda de 4,5 bilhões de dólares.
Até então, a Breitling era uma empresa familiar associada a relógios com herança no mundo da aviação. De lá para cá, ampliou portfólio, diversificou parcerias e passou a se posicionar como uma marca de lifestyle. A marca se consolidou na nona posição no ranking das maiores relojoarias suíças, ainda que tenha apresentado uma pequena queda em relação ao ano anterior.
Em 2025, a marca registrou receita de 850 milhões de francos suíços e venda de 155.000 peças, segundo relatório do Morgan Stanley com a consultoria LuxeConsult. No ano anterior foram 820 milhões em faturamento e 160.000 relógios vendidos.
Em entrevista exclusiva em sua passagem por São Paulo, Kern falou à EXAME Casual.
Vocês têm reforçado a presença em diferentes mercados. O que mudou?
Independentemente da marca, você precisa fazer o básico. Estar presente. Visitar clientes. Temos uma grande equipe em Miami. Temos uma equipe no México e estamos indo muito bem lá. Agora também temos uma equipe no Brasil. Podemos até triplicar nossa presença nesta região. Sete ou oito anos atrás isso não era prioridade. O que fizemos em outros países estamos começando a fazer aqui.
A Breitling tem aberto muitas boutiques ao redor do mundo. Esse movimento continua?
Acho que chegamos agora a um bom nível. Estamos com cerca de 285 boutiques globalmente. O que precisamos fazer agora, em muitos países e também no Brasil, é melhorar o nível das boutiques e encontrar melhores localizações.
Parcerias como a com a Aston Martin ou com a NFL indicam uma nova fase da marca?
Sim. Antes não tínhamos dinheiro. Éramos a única grande marca sem grandes patrocínios internacionais. Agora podemos fazer isso. A NFL é enorme. Juntos, Brasil e México têm metade do público que existe nos Estados Unidos. Aqui vocês são grandes fãs de Fórmula 1. Por isso a parceria com a Aston Martin.
A Breitling está em vários territórios: NFL, Aston Martin, surfe, aviação. O que todos esses segmentos têm em comum?
Quando você constrói uma marca, não pode fazer tudo apenas com planilhas de Excel. Muitas decisões vêm da intuição. Sete anos atrás não tínhamos dinheiro. Então pensei: vamos apostar em surfe, triatlo, coisas legais. Hoje somos mais maduros. No fundo, estamos criando um lifestyle.
Quais são os modelos mais importantes hoje?
Hoje, três modelos representam cerca de 75% do nosso faturamento: Chronomat, Navitimer e Superocean Heritage. Esses são nossos ícones. É neles que vamos concentrar esforços.
Qual é a importância do Brasil para a Breitling?
O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. Com a estrutura que montamos em Miami e agora com pessoas no Brasil, acredito que podemos abrir mais duas ou três boutiques. No Brasil há cerca de 500.000 milionários. A América Latina, a América Central e o Caribe cresceram entre 20% e 25% nos últimos anos.
Muitos brasileiros compram relógios em Miami. Isso está mudando?
As pessoas não vão a Miami apenas para comprar relógios. Elas vão para se divertir. Muitas têm casa lá. Mas as pessoas também querem experiên-cias locais. Durante a pandemia vimos como os mercados são locais. Quando ninguém podia viajar, as pessoas compravam perto de casa. Mas o ambiente precisa ser competitivo, especialmente em termos de preços.
A Breitling adquiriu duas marcas de relógio históricas recentemente. Por quê?
Analisamos aquisições de marcas existentes, mas muitas eram caras demais ou vinham com fábricas, funcionários e problemas que não queríamos. Então propus comprar marcas adormecidas. Com nossa equipe de patrimônio histórico, analisamos várias opções e escolhemos duas, Universal Genève e Gallet. Universal ficará acima de 15.000 francos suíços. Gallet ficará entre 2.500 e 5.000 francos. Assim, criamos uma estrutura de três níveis de preço, com Breitling no meio.
Você pretende ter mais crianças na família Breitling?
Gosto de ter muitos filhos. Mas primeiro vamos focar em Universal e Gallet. Universal será lançada em abril; e Gallet, no fim de agosto.