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Premiê do Japão tem sinal verde para expandir gastos, mas mercado desconfia

Sanae Takaichi quer cortar impostos e estimular indústria, mas país tem uma das dívidas mais altas do mundo

Sanae Takaichi: nova primeira-ministra do Japão conquistou dois terços do Parlamento (Chung Sung-Jun/Getty Images)

Sanae Takaichi: nova primeira-ministra do Japão conquistou dois terços do Parlamento (Chung Sung-Jun/Getty Images)

Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.

Em fevereiro, Sanae Takaichi fez uma proposta. A primeira-ministra pediu mais poderes para mudar os rumos do Japão e expandir os gastos públicos, para tirar o país da estagnação.

Sua oferta foi aceita: ela venceu as eleições fora de época, conquistou uma supermaioria e agora tem sinal verde para gastar mais, mesmo em um dos países mais endividados do mundo — a dívida pública equivale a 240% do PIB. “Vou continuar apertando o botão do crescimento”, afirmou, após a vitória nas urnas.

O plano de Takaichi inclui gastar 135 bilhões de dólares em medidas para conter a inflação, como suspender impostos sobre alimentos e combustíveis. A lista inclui, ainda, estimular a indústria e endurecer as políticas de imigração, em um pacote que lembra as medidas de Donald Trump nos EUA. A governante aposta em uma receita clássica keynesiana, com a expectativa de que uma economia mais aquecida gere mais arrecadação de impostos, o que compensará o dinheiro investido pelo Estado.

O mercado, no entanto, tem dúvidas. O iene perdeu valor diante do dólar desde outubro, quando ela tomou posse, enquanto a maioria das moedas estrangeiras se valorizou no período.

“O Japão já está gastando bem mais do que deveria, quando consideramos os custos dos juros da dívida, enquanto luta com uma crise interna de custo de vida”, diz Kriti Gupta, estrategista de investimento global do banco J.P. Morgan, em uma análise. “Os mercados estão enviando um alerta: mais dívida vem com um custo.”

Nos próximos meses, Takaichi terá de trazer bons resultados para acalmar investidores, manter sua popularidade e não repetir a sina dos últimos três premiês japoneses. Desde 2020, nenhum líder ficou no comando do país até o fim do mandato.


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