Um dos destaques do setor no ano: o popularíssimo Flamengo (Flamengo/Divulgação)
Diretor de redação da Exame
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.
Poucos setores tiveram um 2025 tão confortável quanto o de Participações e Mídia. Em 2025, cada 100 reais de receita das 25 empresas do setor entre as 1.000 maiores do país renderam 20 de lucro — quase o triplo da média do ranking, de 7,5%.
Isso reflete certa maturidade e também a natureza contábil do setor. Boas margens costumam ser característica de quem administra ativos consolidados, concessões, marcas, carteiras ou imóveis, e boa parte do resultado dessas companhias não vem da operação, mas de equivalência patrimonial. “É um setor maduro, sem grandes surpresas no ano”, diz Samuel Barros, do Ibmec.
Nas empresas de mídia, o que há de novo é uma redistribuição do bolo publicitário. O anunciante que antes comprava inserções em intervalos comerciais hoje investe em dados, anúncios digitais e camisas de times de futebol. A receita de retail media cresce mais de 18% ao ano, segundo a PwC. “Não é substituição, mas reacomodação dos investimentos em publicidade”, diz Ricardo Queiroz, sócio da consultoria.
As Organizações Globo, maior grupo de mídia do país, ampliaram a receita em 11% e viram o lucro encolher um terço, um ano depois de mais que dobrá-lo. No exercício anterior, a reengenharia de produtos, o reforço do streaming e o corte de custos via tecnologia tinham sustentado o salto.
A virada mais notável entre as empresas do setor no ano passado não veio de uma empresa de mídia, mas de um clube de futebol. O Flamengo saiu do empate técnico em 2024 para 343 milhões de reais de lucro em 2025, com receita 29% maior. O São Paulo é outro exemplo de time que voltou ao azul. Num setor que ganha dinheiro administrando patrimônio, o melhor resultado do ano veio de quem administra uma torcida.