Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude: “Saúde mental precisa ser discutida no nível da liderança e até do conselho” (Nicolas Siegmann/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de março de 2026 às 06h00.
Grávida do primeiro filho e prestes a entrar em licença-maternidade, Tatiana Pimenta vive um momento singular na trajetória como fundadora.
Em abril, ela se afasta temporariamente do comando da Vittude para cuidar da filha que está prestes a nascer — justamente quando a empresa que criou completa dez anos e atravessa uma de suas fases mais movimentadas. “Vai ter um monte de coisa acontecendo e eu estarei cuidando de uma bebê”, diz a empreendedora.
Criada em 2016, a Vittude nasceu com a proposta de facilitar o acesso à terapia online, conectando pacientes a psicólogos. Com o tempo, o negócio evoluiu para algo mais amplo.
Hoje, a empresa desenvolve programas estruturados de saúde mental para companhias, ajudando organizações a diagnosticar riscos psicossociais, oferecer atendimento psicológico e estruturar políticas internas de bem-estar para funcionários.
A empresa já recebeu mais de 40 milhões de reais em investimentos e hoje atende companhias como Grupo Boticário, Arcos Dourados, Sodexo, SAP e Thomson Reuters, impactando mais de 3,5 milhões de colaboradores.
O crescimento da empresa acompanha uma mudança mais ampla no mercado de trabalho. Durante anos, a saúde mental foi tratada como algo indiferente para o funcionamento de uma empresa. Nos últimos anos, porém, passou a ganhar espaço nas discussões estratégicas — que, segundo Pimenta, foi impulsionada pela pandemia e pelo aumento de afastamentos por transtornos psicológicos.
Parte desse novo momento também está ligada às mudanças regulatórias que começam a ganhar força no país. A atualização da Norma Regulamentadora no 1 (NR-1), que passou a exigir o gerenciamento de riscos psicossociais nas empresas, deve ampliar a demanda por programas estruturados de saúde mental no trabalho — área em que a Vittude atua desde a fundação.
“Saúde mental precisa ser discutida no nível da liderança e até do conselho”, diz a fundadora. “Não é sobre benefício, é sobre gestão. A empresa joga um terço da folha de pagamento fora quando não trata desse tema.”
Ao mesmo tempo que se prepara para a chegada da filha, Pimenta também finaliza outro projeto pessoal: o lançamento de seu primeiro livro, que reúne aprendizados acumulados ao longo da última década como fundadora. A obra deve ser lançada ainda neste ano, coincidindo com os dez anos da companhia.
Para uma executiva que passou os últimos anos ajudando empresas a discutir equilíbrio e bem-estar no trabalho, a chegada da primeira filha tem um significado especial. Pela primeira vez desde que fundou a Vittude, Pimenta terá de colocar em prática na própria rotina a pausa e o autocuidado que costuma defender em suas palestras e seus projetos. O desafio agora é pessoal: aceitar que, por alguns meses, será preciso desacelerar.