Economia

Diesel sobe 14,7% e diferença entre estados chega a R$ 1,11 por litro

Levantamento da Gestran, plataforma de Gestão de Frota, com dados reais de abastecimento mostra impacto imediato do reajuste e pressão sobre custos logísticos no país

Diesel:No recorte regional, o reajuste ocorreu em todo o país, mas com intensidades distintas (RunPhoto/Getty Images)

Diesel:No recorte regional, o reajuste ocorreu em todo o país, mas com intensidades distintas (RunPhoto/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 12 de abril de 2026 às 08h00.

O preço do diesel registrou alta média de 14,7% em um mês, após reajuste anunciado pela Petrobras, ampliando o custo do transporte em todo o país.

Dados do Radar de Preços do Mercado de Combustíveis, desenvolvido pela Gestran, plataforma de Gestão de Frota, sindicam que o valor médio passou de R$ 5,7467 por litro em fevereiro para R$ 6,5940 em março — aumento de R$ 0,85.

O levantamento acompanha abastecimentos em tempo real e considerou 3,51 milhões de litros de diesel S10 em 622 postos, com base em transações com nota fiscal.

A proposta da plataforma é funcionar como um “consulta preço do diesel”, permitindo análise por estado, cidade e tipo de combustível.

No recorte regional, o reajuste ocorreu em todo o país, mas com intensidades distintas.

O Nordeste liderou a alta, com avanço médio de 15,57%, seguido por Sul (15,55%) e Centro-Oeste (15,13%).[/grifar] O Norte registrou a menor variação, de 12,20%, ainda assim considerada expressiva.

A diferença de preços entre estados chegou a R$ 1,11 por litro. Mato Grosso do Sul lidera como o mais caro, com R$ 6,9974, enquanto o Maranhão apresenta o menor valor, a R$ 5,89.

A dispersão de preços cria um cenário de ganhos potenciais para empresas que conseguem otimizar rotas e pontos de abastecimento.

O impacto financeiro é direto na operação das transportadoras. Segundo a Gestran, um caminhão semi-pesado com tanque de 300 litros passou de um custo de R$ 1.724,01 por abastecimento em fevereiro para R$ 1.978,20 em março — alta de R$ 254 por operação. Em frotas maiores, o efeito se multiplica rapidamente.

Frotas antecipam abastecimento e ajustam consumo

Os dados também indicam mudança de comportamento das empresas após o anúncio do reajuste. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Pará registraram queda no volume abastecido em março, sugerindo antecipação de compras no fim de fevereiro para evitar preços mais altos.

Em sentido oposto, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul tiveram aumento no volume abastecido, movimento que pode indicar expansão de operações ou novos contratos no período.

Segundo Paulo Raymundi, CEO da Gestran, o cenário evidencia a importância da gestão de dados no setor. Para ele, empresas sem controle estruturado ficam mais expostas à combinação de alta de preços e ineficiência operacional.

"Se o gestor de frotas tiver acesso a dados confiáveis de custo por posto, pode incorporar essa informação nas decisões de rota e realizar abastecimentos mais inteligentes, economizando bastante", diz.

Alta do diesel ocorre em meio a pressão inflacionária e cenário externo

O avanço do diesel ocorre em um contexto mais amplo de pressão sobre os combustíveis. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço do diesel acumula alta de 13,90%, em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo.

O cenário externo foi impactado pelo fechamento do Estreito de Ormuz — corredor estratégico para o transporte global de petróleo — após a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

No Brasil, o encarecimento do diesel tem efeito disseminado, ao elevar o custo do frete e impactar preços ao consumidor. Diante desse cenário, o governo federal anunciou no início de abril um pacote de medidas para conter novas altas, incluindo subsídios ao diesel, apoio ao gás de cozinha e linhas de crédito para o setor aéreo.

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